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caso de família.

Oi querida!
Estou em uma situação o tanto quando “desesperadora”… Meu namorado é um ex-galinha, já transou com várias, pegou a cidade inteira… As meninas ficam em cima, eu fico mto irritada, ligam de madrugada… Até as primas ficam em cima dele! E eu sou uma pessoa totalmente ciumenta… Ele tá comigo sempre, sabe? Se ele me trair, só se for na faculdade (o que eu não acho totalmente impossível)… Eu me sinto muito incomodada com isso, em lembrar de todo o passado dele, eu sei que isso não devia importar, porque comigo ele é um princípe, sabe? Me trata mto bem mesmo… Mas sempre fico com o pé atrás e não consigo confiar. Um dia teve uma história dele com uma “amiga” minha, ele adicionou ela no msn e ficou dizendo que ela era bonita e todas aquelas coisas que a gente sabe que um homem namorando fala mesmo assim! No começo do namoro sem saber de nada disso, me sentia nas nuvens, me sentia a pessoa mais amada do mundo… Mas agora, fico sem vontade de ficar com ele, o sexo não tem mais graça, mas minha família ama ele e toda vez que penso em terminar ou sei lá, eles são contra mim e dizem que nunca vou arrumar alguém igual ele… Eu fico totalmente perdida sem saber o que fazer… Minha situação é muito complicada, além de tudo isso, EU NÃO SUPORTO A FAMÍLIA DELE, é claro, que você depois de ler tudo isso vai pensar “e o que essa menina ainda está fazendo com ele”, mas por algum motivo, eu também tenho medo de ficar sozinha… Eu não confio nas pessoas por uma trauma de um ex meu (que vai ser pra sempre o amor da minha vida, pois o que eu vivi com ele acho que nunca mais vou viver com alguém), mas ele vivia me traindo… Sempre mesmo, fico até mal de falar isso, mas eu era uma burra. Novinha, né, me iludi e me ferrei. Agora sou tão fria… Não sei, só queria mto um conselho pra saber o que eu faço, o que eu mudo, o que faço da minha vida… Porque estou tão perdida, às vezes tenho vontade de fazer minhas malas e ir pra algum lugar bem longe daqui ficar sozinha e pensar…

Ai! É, isso. Espero que me dê uma luz!!!

Beijosssss!

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Oi, xuxu!

Seu caso é mais comum que você pensa. Não te acho doida por continuar com o seu namorado em meio a toda essa situação, principalmente em relação à parte em que você diz que nunca mais vai encontrar alguém como ele e que vai ficar sozinha caso desista desse relacionamento escravo em que você está! Vamos aos pontos, com calma, pra ver o que podemos fazer…

O cara é um galinha, de fato. Você pode controlá-lo, estar com ele em todos os lugares, mas sem confiança… Não dá. Por mais que tenhamos ciência de cada passo que o sujeito execute, traição vai muito além de concretizar os fatos. Só por ele ficar de conversinha mole, com uma AMIGA sua, já indica que ele não teme o perigo. E, também, que você precisa escolher melhor as pessoas que chama de amiga… Enfim…O relacionamento, por mais vantajoso que você julgue ser, está cansativo. E essa história do sexo não ser mais interessante? Que TERROR. Não estou vendo assim tantas vantagens como você está…A possibilidade dele encontrar alguém interesssante, te deixar de lado ou dele simplesmente te trair, situação que você já viveu anteriormente, te assombra. Você quer viver com medo? É o típico caso de namoro “síndrome do pânico”. Você teve um trauma, o cara não te dá segurança, você pira ocasionalmente, mas, aos poucos, retoma a confiança na relação e acha que está tudo sob controle… Até que BANG. Alguma coisa vem e te enfraquece novamente.

Você disse que a família dele é insuportável, certo? Isso é, de longe, a pior coisa num relacionamento. Não sei nem quais são seus motivos pra sentir isso em relação a eles, mas sei que é uma droga. Quando nos unimos à alguém, inevitavelmente, nos unimos à familia dessa pessoa e não há relacionamento que não se abale por uma convivência familiar ruim. Há casos em que dá pra relevar, outros, não. E, sinceramente, na sua situação, a convivêrncia familiar só seria de grande importância para você se sentir segura. Ter sogros que te amassaem garantiria maior controle sobre ele, coisa que você pode acreditar ter, mas que você no fundo sabe que é impossível. Sabe que nem aquela geleinha de brincar da infância? Quanto mais a gente aperta, mais ela escapa entre os dedos? Então… Assim é o relacionamento no qual uma pessoa assume o posto de xerife e outra de réu. Pode dar certo durante anos e anos, mas se não mudar de perfil, está fadado ao fracasso.

Sabe, Miriam, você merece estar com alguém que DESEJE estar com você e que tenha motivos que vão além de uma bunda, um sorriso ou um cabelo bonito para não te trair. Sempre existirá mulheres mais bonitas, mais interessantes, menos problemáticas… E homens também. Não adianta querer que o cara se torne o padre Marcelo Rossi, as pessoas só se transformam se desejarem de fato que isso aconteça. Porque a outra vale a pena. E não é que você não valha. É que tem gente que simplesmente não enxerga o valor das coisas que tem quando elas estão por perto…Creio que a situação, ao contrário do que você vê, é ruim PRA ELE. É ele quem não encontrará por aí alguém como você, por mais que a sua família o ache maravilhoso e digno de todos os louvores. Só você sabe o que vive. E só você pode decidir até que ponto se torturar assim te faz feliz.

Espero ter ajudado, muita boa sorte em qualquer decisão que você tiver!

Um bjão,

Ericka.

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Quer participar do Consultório? Envie seu e-mail para hipervitaminose.blog@gmail.com e saiba minha opinião sobre seu causo… Num dói, não! Eu garanto! =]

jardim de infância.

Conversamos dia desses, Luís e eu, no hall do prédio. Ele me contava como andava a vida, reclamou que as férias já estavam acabando, falou sobre futebol, sobre alguns poucos e sempre presentes amigos e, por fim, sobre garotas. Fiquei surpresa.

Ele, todo arrumadinho, do tipo criado (literalmente) com a vó, nunca havia mencionado menina nenhuma. Nem gorda, nem magra, nem chata, nem legal. Nem sobre as primas ele falava. Mas sobre a Mariana ele resolveu contar.

- Sabe, tia, ela é chata.

- Chata por que, Luís?

- Por que fica bolando planos com as outras meninas pra atrapalhar as nossas brincadeiras.

- Atrapalhar por que? Vocês não podem brincar juntos?

- Não, tia. Meninas e meninos não podem brincar juntos, tá na regra.

- Na regra de onde, Luís?

- Da escola, ué. Se um menino brincar com uma menina ele não é mais considerado tão menino. E eu também não gosto muito de meninas. Quando eu fico perto da Mariana me dá um negócio que incomoda.

- Negócio na barriga?

- Não, no peito. Parece que eu pulei na piscina e tô sem ar. Meninas fazem mal.

- Eu acho que você gosta da Mariana, Luís, por que você não chama ela pra brincar? Meninos podem brincar com meninas, olha só, tenho vários amigos meninos, você é menino.

- Mas voce é não é menina, você é gente grande.

- E gente grande é diferente?

- É porque se ela souber que eu me importo com ela, ela vai fugir. E sabe, tia, eu não gosto dela, mas não quero ter a certeza de que ela não gosta de mim.

E de repente eu comecei a ver tantas semelhanças entre a vida adulta e o jardim da infância  que fiquei com um pouco de medo de contar pro Luís que quando a gente vira gente grande continua exatamente do mesmo jeito.

o mundo ideal.

Sempre gostei de ter a opção de controlar as coisas na vida. Não conheço quem pense diferente.

Gostaria e, ao mesmo tempo, não gostaria que cada ação determinada provocasse sua reação correspondente. Que conhecer alguém e se apaixonar, significasse namorar, noivar e casar. Sem muitas dores e ressentimentos no meio. Sem muitas pessoas erradas, famílias chatas, conflitos e maiores aborrecimentos. Gostaria de ter a certeza de que, se me empenhar de verdade, estudar, estagiar e trabalhar, alcançarei o emprego dos sonhos. A vida dos sonhos. Queria que todo mundo pudesse ter sua casinha, a comida que mais gosta, um animal de estimação pra servir de consolo quando alguma coisa mínima saísse fora da linha. Mesmo que nesse meu mundo mágico nada saisse fora da linha.

Gostaria de poder estar sempre perto dos amigos quando eles se sentissem sozinhos, nem que fosse pra dar a mão. Nem que fosse pra dizer que às vezes, algumas ações geram reações não confortáveis, mas nunca ruins de fato. Queria que as inseguranças não consumissem, nem tirassem o sono, queria que não houvessem inseguranças quanto ao amanhã.

O mundo poderia ser todo certinhoo, ninguém deveria perder pai, mãe, vó nem vô. Ninguém. E todo mundo deveria ter esses entes queridos nem que fosse pra achar melhor ter nascido sozinho. Mesmo que nunca achassem coisa assim.

Dizem que nada na vida teria graça se soubéssemos desde o começo do filme o seu final. Que se tudo fosse corretinho, seria entediante. Só sentiríamos frio na barriga na montanha russa e olhe lá.

Mas num dá uma vontade, daquelas bem grandes, de mandar o mundo parar um pouquinho de ser tão independente e girar um pouco conforme os nossos desejos?

Eu adoraria.

saber viver.

Os seres humanos são os reis das cagadas. Na dúvida vão lá e pulam do precipício. Pensam, escolhem, não dormem por dias e voltam com o namorado que não presta porque acham que é o certo a ser feito. Ficam com alguém que não gostam de verdade porque têm um “compromisso verdadeiro” com essa pessoa. Amam o duvidoso. Porque, afinal de contas, o certo se for mesmo o certo vai dar certo alguma hora. E antes se arrepender de ter feito do que de não ter feito.

Não sei quem foi que disse que quando se trata de sentimentos loucos é melhor não ter razão. Aliás, sei quem disse, foi Lulu Santos. A razão em excesso é amigona do medo, e às vezes atrapalha. Mas como todos os extremos, essa máxima que habita todas as tretas amorosas modernas é tão burra quanto tentar fincar prego na areia. Se não pensar fosse a melhor maneira de se viver por que seríamos os únicos seres vivos racionais?

O problema do excesso de razão é te deixar cético. O problema do excesso de emoção é te deixar cético. No primeiro caso você passa a ignorar que as pessoas são capazes de amar. E no segundo caso, você é incapaz de pensar que elas possam ter qualquer tipo de atitude ruim.

Sou da política que as pessoas podem SIM, mudar. Pau que nasce torto, ao contrário do que fala o poeta, pode se endireitar. Mas é difícil. É complicado. E até que isso aconteça, muitas águas rolam por debaixo da ponte. São mágoas, incertezas, desconfianças… Que não são fáceis de passar por cima e esquecer. E que, quase sempre, não devem ser esquecidas mesmo.

Ao invés de ficar dando murro em ponta de faca que tal começarmos a nos amar um pouquinho? E a parar de achar que merecemos o pouco amor que recebemos?

Pra ser feliz é preciso pensar.

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