Paixão gratuita…

Achei que já estava calejada de frustrações. Achei que nenhuma decepção amorosa na vida ia me fazer sentir um lixo de novo e achei que não ia me apaixonar gratuitamente por qualquer ser humano incrível dessa vez. Pelo menos não dessa vez.

Um amigo insistia há meses para eu conhecer um amigo dele que era “a minha cara”. Resisti bravamente. Não porque eu não acredite que as pessoas possam se relacionar com desconhecidos via internet, mas é porque gosto mesmo do método tradicional de olho no olho, conversas ao pé do ouvido e tudo o mais.

Uma hora ele tanto fez, tanto disse e tanto blá blá blá que me convenceu. É claro que antes eu já havia dado uma sondadinha no orkut do moço. Não fazia meu tipo, ganharia mais um amigo de bar, okay, vamos à luta.

Em tempos de desemprego tudo que eu ando fazendo é passar horas na frente do computador, e assim fiz por uma semana. E foi esse o tempo insano de me entregar completamente, de saber problemas, de desejar mudar a vida do outro, de querer ir até São Paulo só para arrancar um sorriso despretensioso, um jantar, uma noite de risadas fáceis. E eu fui. E jamais deveria ter feito isso.

Foi uma noite excelente, um despertar melhor ainda e uma viagem agradável. Mas de semelhanças mesmo, não tínhamos nenhuma. Eu gostava de pagode, ele de rock, eu não suportava peixe e ele amava. Tudo contornável quando se tem amor (mas não tinha.) E eu, vítima fácil das paixonites indevidas, já tava fazendo planos pra vida: quanto mais impossível, improvável e nada a ver mesmo a pessoa, melhor. Tendência autodestruitiva? Chame como quiser.

A verdade é que não deu certo. Brigamos online por mais outra semana e já sabíamos desde os 30 primeiros segundos ao lado um do outro que havia alguma coisa errada, que não iria rolar. Mesmo com todo o desejo latente de se envolver, mesmo com toda a admiração pela vida um do outro, mesmo por não conseguirmos não nos ver quando ele vem pra Santos nas folgas… Sei lá. Não tinha a tal da química. Problema mesmo é querer estar ao lado sem estar junto, o coração num entende que é só pra ser uma amizade.

Fazia tempos que eu não conseguia escrever nada realmente bom, não tinha motivos pra isso. E estranhamente, no desconhecido que eu insisti tanto para não conhecer… Encontrei sabor para os meus dias. Agora me diz: não é pra morrer de medo de morrer de paixão?

4 responses to this post.

  1. Ahh, o amor.. esse sentimento insano que é capaz de nos fazer cometer as maiores loucuras.. e também produzir os melhores textos. Adorei!! Muito bom o post. Leve e sincero.

    bjos

    ps: sinto falta da criatividade que tinha quando ainda haviam borboletas no meu estômago..

    Responder

  2. Posted by Bianca Hayashi on 12/03/2009 at 01:00

    Engraçado como a gente reage, não? Os amigos dizem que têm o par perfeito pra você, mas acho que só estão tentando desencalhar dois amigos. Não vou dizer que os opostos não se atraiam, eu só nunca pensei que opostos possam ter um relacionamento amoroso saudável. E nada os impede de serem bons amigos.

    Mas se é pra ficar junto e brigar a cada cinco segundos… coração, comofas?

    Responder

  3. Posted by Jorjão on 12/03/2009 at 19:11

    é… que cagada =/

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  4. Adorei!!! Vai lá nom ue blog que eu te dei dois Selos!
    beijão

    Responder

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