A hora do adeus…

Quais os motivos que fazem um relacionamento acabar? Já adianto que não é só a falta de amor.

Não sou vidente, mas tenho a capacidade (infeliz) de prever acontecimentos ruins em relacionamentos alheios, assim como tenho um sexto sentido ENORME pra gente que não presta, – e há testemunhas mil para comprovar – mas não é isso o que quero dizer nesse post.

Há cinco meses atrás o caso era grave. Ela queria namorar, mas não queria deixar de nada. “Eu nasci assim, eu cresci assim, e eu sou assim”: síndrome de Gabriela típica. Ex-peguetes eram amigos, gostava de uma boa mesa de bar, era expansiva, falava alto e descia até o chão – agradasse ou não. Tinha muitos amigos e inimigos na mesma medida. Chamava atenção, falava o que pensava e esbanjava alegria; estando feliz com ela mesma, tudo estava bem. Ele, sempre parceiro,  a acompanhava em todos os programas e realizava todos os seus desejos. Se ela bebia, ficava atento às atitudes excessivas, sempre presentes, e jamais discutia em público salvo raríssimas exceções.

Pra ele o mundo, do jeito que estava, podia parar. Pra ela o mundo, do jeito que estava,  podia se expandir. Ela queria mais que uma vida comum. E o mundo se expandiu. E de repente, um grande sonho parecia querer dividir os caminhos do casal. Ela se apavorou: como viveria sem ele tanto tempo, meu Deus? Como suportaria o fato dele se interessar por outras pessoas, viver uma vida sem ela? Mesmo ela vivendo, também, uma vida sem ele?

Chorou, sofreu, se questinou e, por medo, manteve tudo do jeito que estava. Namorariam durante um ano à distância, não importando nada, nem ninguém. Tentariam se encontrar no meio do ano, mas nada muito certo. E eu, assistindo às dores de camarote, sabia que não ia dar certo e tentei impedir lágrimas futuras; obviamente inevitáveis.

Não acredito em relacionamentos à distância. Namorar exige pele, exige atenção, exige coração aberto, exige renúncia, exige tantas coisas que pode cansar. Relacionar-se é extremamente cansativo, caso você não saiba disso, e é preciso, inúmeras vezes, pensar no outro.

Na vida desses meus amigos sobrava amor, não era esse o problema. Ninguém queria sair beijando bocas desenfreadamente pelo salão, ninguém queria estar livre para fazer o que bem entendia. O motivo de eu acreditar no término como melhor opção nesse caso, era o respeito.

Com o tempo, a distância não permitiria que a confiança continuasse a viver e que cada um encostasse a cabeça no travesseiro sem pensar na balada que o outro foi na noite anterior, nas pessoas que conheceu, que encontrou, nos possíveis xavecos  e em toda a vida vivida longe. No tempo em que uma as partes não pôde ficar conversando horas pela internet; nos desejos do próprio coração – agora caminhando sozinho e independente, mas compromissado! Tem como não ficar egoísta? Tem como não sentir-se traindo e traído? Tem como não sofrer?

Relacionar-se também implica a caminhada lado a lado. Os sonhos, os ideais, os desejos… Não eram mais os mesmos. E nem poderiam ser. Se já mudamos dia a dia, distantes fica ainda mais dificil nos reconhecer no outro. Gostar, meus caros, é encontrar a si mesmo no parceiro e encantar-se. Mecanismo inconsciente e narcísico, mas real. Pense nisso.

Eles estão juntos ainda, mas sofrendo. Pela dificuldade que têm de admitir que amar, nem sempre, é suficiente para ser e fazer o outro feliz, pelo medo de se perderem na vida caso “libertem” o outro do compromisso imaginário.

Separar-se dói. E nem ela, nem ele estão preparados pra isso.

2 responses to this post.

  1. Sabe, sempre me questionei se um dia seria capaz de manter um relacionamento à distância. Até hoje não descobri de fato a resposta, mas tudo leva a crer que não.

    Concordo com você quando diz que um relacionamento é feito de presença física. A presença virtual ajuda a diminuir a saudade, mas o contato dia-a-dia é que fortalece o vínculo. Dizer adeus é dificílimo, mas às vezes é necessário. Agora, se não conseguir dizer adeus, dizer até logo já ajudaria a aliviar a dor.

    Responder

  2. Preciso dizer?
    Me identifiquei demais com o texto.
    As pessoas realmente acham que o amor basta, mas não é verdade. E mesmo morando perto, mesmo se vendo todos os dias, às vezes a distância surge entre duas pessoas, às vezes os desejos mudam.
    E as coisas nunca são tão preto no branco quanto aqueles que estão ao redor palpitam!
    Coloquei você no meu rss, agora não perco mais seus posts!
    Beijão

    Responder

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