“Beleza é questão de intimidade.”

Peças de teatro sempre me fazem pensar, mas fazia tempos em que não via uma interessante. Santos num tem lá grandes opções cênicas, se é que vc me entende, provínicia é um negócio delicioso e terrível ao mesmo tempo.

O monólogo “Aquela Mulher”, interpretado por Marília Gabriela, com a direção de Antônio Fagundes, não tem muita definição. É basicamente um desabafo da esposa de um político sobre uma traição, sobre os homens e as mulheres, sobre os sentimentos, sobre a criação do mundo, sobre poder e claro, sobre amor. Até anotei algumas frases durante o espetáculo que achei geniais (prometo pesquisar a autoria do texto, acredito que seja gringa.)

Em um dado momento Marília fala sobre as guerras e sobre a ausência de dignidade nos conflitos atuais onde tudo é feito a distância:

“…Se uma barata tivesse olhos humanos, e eu me visse refletida neles, não seria capaz de dar um pisão nela. Se olharmos bem de perto, todo ser vivo tem sua beleza, até uma barata. Beleza é questão de intimidade…”

Fiquei pensando nisso e em como às vezes achamos bonitas coisas que conhecemos profundamente e sabemos que são desprovidas de beleza. Como às vezes amamos quem não merece, quem é feio fisicamente e intimamente. Não sei como, saindo da temática da guerra, Marília voltou para o assunto da traição e concluiu mais ou menos assim:

“…O amor às vezes é assim, como um cachorro abandonado no frio, na fome, no meio da estrada. A gente deixa ele lá, esperando que ele vá embora e ele se perde por um tempo. Quando volta olhando pra gente e abanando o rabo é como se nada tivesse acontecido.Olhei para Bill (o político que traiu a personagem) e o vi lindo novamente. O amor não havia morrido afinal…”

Fiquei pensando em mim mesma e em quantas vezes passei por essa situação. Ao final da peça, Marília mesma disse a possível razão disso acontecer:

“O homem foi condenado ao trabalho, a mulher, ao amor.”

Preciso concluir?

4 responses to this post.

  1. È parece muito bom o texto da peça!!!!
    Quando estava aki no Sesc Consolação pensie em ir, mas acabei deixando pra lá…
    bjocas

    Responder

  2. Posted by Bianca Hayashi on 13/04/2009 at 01:27

    Seu texto me faz lembrar o quanto eu gosto de teatro e há quanto tempo não vou.
    Gostei muito da primeira citação. Quantas vezes a gente não diz que certa pessoa é linda, mesmo ela não o sendo à primeira vista? E quanto amigos nossos não se tornam deuses porque nos cativaram e não porque o físico o diz? Coisa doida esses nossos relacionamentos.

    Responder

  3. Nossa… assim como você, me identifiquei muito com o texto.
    Fiquei morrendo de vontade de ver a peça.
    Como vão as coisas por aí?
    Te amo,

    Responder

  4. Esse negócio de “beleza” é complicado porque, no final, cada um de nós acaba tendo um padrão próprio – o que é bonito prá mim, não necessariamente é prá vc, mas a peça parece interessante mesmo. Deveria ter ido quando estava perto… É assim mesmo, só nos damos conta das boas oportunidades quando as perdemos..rs

    bjos

    Responder

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