Conto perdido.

Achei esse conto perdido nos arquivos do meu antigo PC e como tava precisando de umas linhas pra um concurso enviei ele dia desses pra uma revista aí… Pelo visto não deu em nada. De qualquer forma, achei bacana reler antigos escritos. Espero que vocês também gostem,

Ericka.

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“Sabe, se você tivesse feito uma ligação durante esse tempo que ficou fora, me prometendo com toda a sua peculiar certeza que todos aqueles sonhos seriam concretizados… Eu largava tudo. Eu quase fiz isso, com esse meu coração burro, acreditando fortemente que tudo aquilo que você disse era verdade… Tão juvenil…”

E se perdiam cada vez mais naquelas noites de amor avulso, mas ainda não sabiam disso. E cada vez que se entristeciam nos seus relacionamentos murchos o destino se encarregava de esbarrá-los nos corredores dos supermercados, torná-los vizinhos, estudantes próximos, amantes fiéis.

Os beijos, que sempre lembravam o quanto era difícil esquecer o romance vivido noutros tempos, naquela noite estavam diferentes. Como de costume, o carro preto deu voltas e voltas pelo quarteirão até encontrar com ela, seus sorrisos e vestidos floridos na entrada do prédio. Tímida, mas mestre em fingir extroversão, sabia onde seriam gastos os próximos 40 minutos, mas encenava uma conversa sobre a vida dele e o tempo perdido enquanto estavam separados, pedia um sorvete e ansiava por um carinho; que a cada vez que se encontravam parecia demorar mais a vir.

Na cama eram íntimos e estranhos. Sabiam o que  fazer e, principalmente, que não deveria ser feito, mas cumpriam seu contrato mudo, feito há 5, 6 anos atrás. Disso nunca esqueceriam. E num sexo,quase mecânico, se entendiam sem falar de amor, sem cobrar ligações, sem qualquer vínculo que gerasse lágrimas. Já não havia mais sobre o que lamentar. O respeito, que nunca se perdeu, constratava com os olhos entristecidos: o amor da vida encheu-se de carne e osso, tornou-se banal e sumiu por entres os lençóis, mensagens e ligações, agora, sem importância.

Assim como tudo começou e tanto durou terminou naquele mesmo dia sem sem dramas, nem palavras. Era o fim. Pela primeira vez permitia-se sentir qualquer coisa e ainda assim não sentia nada de especial. Nem asco, nem arrependimento, nem dor, nem sabor. E tranquila, livre e sem crises (logo ela, que era cheia das crises) entendeu que havia amadurecido e que de uma forma ou de outra até os amores que pareciam eternos poderiam não durar para sempre. Hoje, simplesmente, não se falam mais.

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