Em stand-by.

Na minha cabeça começaram a vir flashes de toda a minha vida, daqueles que a gente vê em filmes. Eu feliz com os meus amigos, eu feliz com um amor, eu feliz andando na praia, numa viagem, na faculdade… Como eu sou feliz. Como eu fui feliz. Como pra mim não é difícil estar feliz.

Notei que ando vivendo em stand by, prestando atenção no mundo inteiro, mas economizando energia. Eu estou e não estou ligada, posso sentir, mas não quero sentir nada agora. Observo pessoas, escuto-as. Sou capaz de arrepiar com uma história bem contada, sorrir com uma vitória que não é minha, mas saber que tive participação em tudo aquilo. Ando aceitando novas propostas, ouvindo músicas antes detestáveis e indo à lugares que nunca visitei só pelo prazer da experimentação.

Já não sou mais tão saudosista, já não sofro mais por pessoas que não estão mais comigo. Alguma coisa mudou daquelas tantas que eu listei no outro post, ando mais segura, mais eu, menos depressiva e drástica, mas permaneço um poço de ansiedade. Isso é difícil de mudar.

E  o mundo continua o mesmo, engraçado isso, eu não tenho o emprego dos sonhos, não tirei carta de motorista, não tô grávida, não perdi (de morte) ninguém querido e também nem é ano novo. Geralmente um desses fatores transforma a gente pro bem ou pro mal, depende. Ando me cobrando menos também e exigindo menos das pessoas que eu amo. Se eu as amo, eu preciso entendê-las vez ou outra, não dá pra mudar tudo no grito, é estafante.

Começo a notar que existem outras coisas importantes na vida das quais eu tenho de sobra. Que eu não preciso vincular a minha vida à ninguém e que, se bobear, é até mais gostoso estar só. Daqui em diante só vou dar de mim àquilo que receber do outro (insira sua piada maliciosa aqui). É mais justo, mais equilibrado e menos dolorido também.

Viver em stand by não permite que eu sinta tudo no 167%, nem as alegrias, nem as tristezas, mas me dá tempo de refletir sobre as minhas próprias atitudes. E eu adoro pensar. E eu preciso pensar.

Eu que sempre fui intensa, que não levo desaforo pra casa, que não suporto uma pisada no meu calo, uma traição, que fico brigada de tô de mal pra sempre, que durmo 14 horas por dia e reclamo de cansaço, que não suporto a idéia da solidão, que choro rios com romances e dou risada de Zorra Total ando aprendendo a ser mais comedida. E isso está sendo ótimo. E espero que daqui pra frente a vida também seja.

One response to this post.

  1. Posted by Sarah on 14/03/2010 at 14:19

    Pensar é sempre bom. Parabéns por conseguir ficar assim por um tempo, vai te fazer muito bem =)

    Beijos

    Responder

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