Traumas.

Você aprende a não encostar na panela quente e a não pular do sofá tentando voar. Aprende também a não mexer com cachorros bravos, a olhar na hora de atravessar a rua, aprende a não brincar com facas e a não aceitar favores de estranhos. Essas coisas doem, podem ser bastante perigosas e provocam cicatrizes. Tenho uma amiga que nunca mais entrou num elevador desde o dia em que ficou presa na infância, lá pelos seus 5, 6 anos e ela já tem 22. Tenho outra que não anda de carro, mais outra que não dorme com a luz apagada e eu mesma num sou a mais corajosa dos seres na Terra viventes. Uma hora ou outra todos nós sabemos que até mesmo as grandes dores passam, mas o que fica e insiste em atrapalhar são os traumas.

Os traumas são aquela manifestação maior do inconsciente que te impedem de repetir comportamentos nocivos. É a tal da bolha, é comer comida de garfo e faca, é acordar, levantar e viver tudo da forma mais adequadamente segura possível, pra não machucar. Pra não cair. Pra não ferir. Pra não amar. Porque é claro que apesar do meu medo surreal por baratas o que eu sei é falar de amor. E sei entender, como ninguém, quando alguém foge dele.

Inventei estratégias mirabolantes para não me apaixonar. Tentei evitar. Teorias, métodos de retirada e até mentir pra mim mesma eu já menti. Só de escutar as batidas do meu coração um pouco mais fortes já me vinha a mente aquele azedo, ácido, amargo, cortante, de coisa ruim, de fracasso, de solidão, de coisas que eu achava que era capaz de controlar para nunca mais sentir.  Não deu certo.

Num revés desses bem feios eu me envolvia e gostava, e caia e levantava. De diferentes modos, com diferentes pessoas, em diferentes mundos, por espaços de tempo diferentes.

Quando vivemos com o passado à espreita afetamos o presente. Sinto informar, caros leitores, mas viver é sentir. E como diria Fernando Pessoa “quem não quiser sofrer, que se isole”.

Cada dia é um recomeço. Cada pessoa uma nova oportunidade. É provável que eu ainda vá te fazer sofrer e você a mim, mas prefiro te dedicar todo o meu tempo, afeto, atenção e carinho. Prefiro tentar. O resto a gente ajeita para fazer ser eterno.

E afinal de contas, sejamos francos: tem como não amar?

3 responses to this post.

  1. Posted by Fabiana Mesquita on 27/05/2010 at 23:36

    Linda !
    É isso aí. Tem que se jogar mesmo.

    Tinhamu
    Beijo !

    Responder

  2. Vamos supor que você descubra um jeito de não se apaixonar. Me ensina depois? =)
    Beijo.

    Responder

  3. Ericka! \o/

    Depois de uma grande temporada sem comentar estou de volta. Acho que agora vai ser mais fácil ser mais presente já que adicionei teu blog nos meus feeds. 😉

    Agora, a respeito do post, eu também sou uma fraude total no quesito conquista, mas sou diferente de ti. Não digo que gosto, nem que sinto saudade e nem deixo saber quando me magoam. Só permitam que as pessoas saibam o que eu estou sentindo quando sei que elas estão dentro pra valer.

    Também não entendo como alguém pode dizer que algo não vai dar certo sem tentar. Melhor viver e ver por si mesmo que a coisa não tinha futuro que tentar se convencer antes de tentar. Tudo tem 50% de chances de dar errado assim como também tem 50% de chances pra dar certo.

    Espero que esteja tudo bem com você. Ando meio distante, mas precisando estou por aqui!

    =*** xuxu! Se cuida!
    See ya! o/

    Responder

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