no regrets.

Tudo na vida andava bem. A faculdade, o trabalho, os amigos, a família… O cosmos parecia que tinha finalmente dado uma trégua nas insatisfações porque, afinal de contas, você já passou por poucas e boas e já aprendeu bem como a vida é.

Aí, dia desses, uma mensagem no celular. Um e-mail. Uma foto de um passado que você já nem lembrava que existia, mas que estava lá, na pasta oculta do seu computador, querendo ser desvendado. De início você se fez de rogada.  Era mais forte que aquelas imbecilidades e não ia se afetar com qualquer coisa. Aí, quando você percebeu, já estava chorando no telefone com a amiga carioca. Estava soluçando na frente da TV pelo comercial de margarina, derramando lágrimas em filme de terror. Chorando porque iniciou aquela série nociva de comparações e percebeu que nem tudo estava tão bem assim. Aliás, nunca está.

Há coisas que não vão embora e geralmente são aquelas que deveriam ir. A parte ruim a gente lembra que foi ruim, mas a parte boa sempre parece bem mais sensacional. Não era. Isso deve ser uma espécie de mecanismo do nosso cérebro pra que não entremos em depressão eterna toda vez que sofremos por amor, para tentarmos novamente e tudo mais, para não vivermos aquela angústia e ficarmos amarguradas, achando que gostar de alguém não vale a pena. Sempre vale.

Esperamos que um relacionamento sempre supere o outro, até porque, não faria sentido estarmos com outra pessoa se ela não fosse melhor que a anterior, mas não é assim. As pessoas tem falhas em setores diferentes, e é aí que mora o perigo: a gente começa a se aborrecer. E a achar que aquilo que está vivendo e que até agora estava nos fazendo feliz, não é assim tãããõoo legal… Que não vale tanto a pena.

Em primeiro lugar, os novos amores precisam de tempo para se sedimentar e se adaptar, coisa que nossos antigos amores tiveram. E em segundo lugar, não existe ninguém perfeito e a gente num pode desejar um Frankeinstein, embora fosse uma solução interessante juntar as melhores partes dos piores namorados e criar um novo, versão 2.0.

Não é assim.

E relacionar-se cansa. E vai cansar por muitas vezes. E temos que ser fortes para admitir que não vai dar mais certo e fortes também para perceber que estamos exagerando. Que o outro não tem como saber exatamente o que se passa na nossa cabeça se não dissermos e que às vezes parecemos simples e não somos.

Exceto em raros casos.

Ex não se tornou ex sem motivo. Pode ser que o amor não tivesse acabado, mas já não havia mais respeito. Pode ser que ambos gostariam de tentar mais um pouco, mas não havia paciência. Pode ser que as pessoas mudem, pode ser que aquele namorado que você teve aos 14 hoje seja homem feito e faça as coisas do jeito certo, exatamente como você imagina, mas pode ser que não. E entre o certo e o duvidoso, melhor dar chance praquilo que mal começou do que voltar atrás nas mágoas que já deixaram de doer.

E ser justa com as pessoas que cativaram a gente por mil novos motivos.

6 responses to this post.

  1. Posted by Fabiana Mesquita on 23/06/2010 at 14:22

    Assino embaixo.
    Absolutamente certa (as usual).
    Quando inventarem a parada do namorado 2.0 tamo ae na fila🙂

    Beijo !
    Te amo

    Responder

  2. Posted by Giu on 23/06/2010 at 14:32

    Trocar o certo pelo duvidoso só é bom quando o certo é extremamente tedioso e só optamos por ele por puro comodismo. Em outros casos, melhor não arriscar, ainda mais com assuntos do coração. Eu pelo menos penso assim. Só arrisco se não tenho medo de perder o certo.
    O problema de relacionamentos é que a gente não compara o atual só aos antigos, mas também aos das amigas, aos dos filmes, aos nossos sonhos… e aí às vezes as expectativas vão ficando muito descoladas da realidade. E chega num ponto em que a gente num sabe se o que a gente quer é algo plausível de ser pedido ou se é a gente querendo viver um conto de fadas…

    Responder

  3. Posted by Desaventuras Namorosas on 23/06/2010 at 14:47

    MELDELS. O comentário da Giu realmente está ótimo.

    O conto de fadas é o maior problema feminino, “nós” ainda achamos que o príncipe virá no cavalo branco para nos defender do dragão.

    É.

    Mulheres.

    Responder

  4. Posted by Ericka Rocha on 23/06/2010 at 14:53

    Até eu tenho que comentar aqui sobre o comentário da Giu…
    Dá até pra escrever um novo post sobre o assunto…

    é… mulheres…

    Responder

  5. Posted by Melzer on 23/06/2010 at 15:00

    Erickaaaaa!

    Definiticamente, ex não se torna ex sem motivo, mas parece que as vezes a gente esquece disso, né?! Que coisa mais infernal! E que mania temos de comparar as pessoas, cada pessoa e experiência é única, bora aproveitar! =)

    =*** see ya!

    Responder

  6. Bacana é quando nenhum outro relacionamento se encaixa na sua vida, porque você perdeu os padrões do que é bom e o que não é. Simplesmente se acomodou com o que tinha: o superficial. Se envolver é sempre mais válido.
    .
    .
    .
    .
    Pelo menos pra uma geminiana!😉

    Responder

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