assumindo riscos.

Fui ver um filme de comédia romântica água com açucar com os bests pra encher meu domingo daquele clima de reflexão que já lhe é peculiar. Os 8 reais e o tempo perdido nunca valem o conteúdo do programa, mas de uma forma ou de outra romances sessão da tarde sempre nos provocam reflexões. As mulheres costumam comentar que esse tipo de entretenimento estraga o nosso imaginário, que é por causa dessas situações esdruxúlas de amor que acabamos nos decepcionando nos relacionamentos da vida real, esperando encontrar por aí um cara lindo, forte, trabalhador e disposto a cuidar de gêmeos. Aham.

Nos filmes os diálogos são absurdos, as situações bizarras, o cara sempre disposto, o romance puro e nunca há inconvenientes. Os jantares são sempre a luz de velas no segundo encontro, as pessoas sempre se conhecem ao acaso e já se amam, ele cozinha pra ela, a escuta e se preocupa com ela instantâneamente. Tudo bem improvável.

Ontem parei para olhar para o lado dos homens. Conversando com o Maurício notei uma coisa que nunca havia pensado: as mulheres, nesses filmes, nunca são descontroladas. Nunca. Geralmente são lindas, sempre bem humoradas e inteligentes. Não estão sozinhas por sua própria culpa, é sempre coisa do destino, não encontraram “o cara legal”. De certa forma foi sempre o azar que as impediu de se apaixonar, nunca as próprias atitudes que as afastaram de pessoas interessantes.

A bomba, minhas caras, é que essa mulher dos filmes também é a idealizada pelos homens. Que galã não se apaixonaria por uma mulher que nunca tem crises? Que nunca surta por motivos absurdos? Que é sempre compreensiva? As comédias românticas também são retrato daquilo que eles desejam.

Eu cultivo uma lista extensa de namorados, não tenho exatamente orgulho disso. Preferia ter vivido um amor de pinguim ou de arara, pra vida toda, mas não consegui ser assim. Na minha roda de amigos sempre tem alguém para dizer que eu não consigo ficar sozinha, que eu não sei curtir a minha individualidade, que a vida de solteiro é ótima e eu perco muito tempo me preocupando mais com outras pessoas do que comigo mesma. Pode lá ter seu fundo de verdade.

Se vocês querem saber eu gosto mesmo de namorar, mas isso não é o centro da minha vida e quando eu acredito que alguma coisa está indo pelo caminho errado não fico cheia de medos de ficar sem ninguém. Tenho medo de SOLIDÃO, nas não de SOLTEIRICE. E posso viver bem sozinha apesar de gostar de estar junto. Todo mundo normal prefere ter alguém do que ser só, eu acho.

Esse individualismo louco é uma característica do nosso tempo, é sociológico. Pra mim o resto do mundo é que tem medo de se envolver, se entregar e se machucar. Posso estar errada, mas estou disposta a argumentos caso alguém queira me provar o contrário. Eu simplesmente não fico pensando no que vai acontecer, eu ajo de uma forma que quando eu vi as coisas já estão lá… Acontecendo.  Não fico querendo pegar homem no laço, desesperadamente. Se parece isso, pode ser que você não me conheça tão bem assim e eu também nem ligo.

Foram INCONTÁVEIS às vezes que fui questionada por amigas solteiras, lindas, independentes,  “satisfeitas” e bem resolvidas com a vida que levam  qual era o meu segredo, como sempre estou envolvida de alguma forma com alguém, pensando em estar junto, perdendo ou ganhando tempo com essa situação e tudo o mais. Não há segredo. O segredo é não ser rasa, odeio gente rasa. Odeio quem acha que pode viver um grande amor fazendo tudo medianamente. Odeio quem acha que pode estar com alguém, cultivando mil sentimentos, fazendo mil planos, sem entrega. Isso é mecanismo de auto defesa.

Se houvesse uma fórmula eu diria que é ser você mesma pra mais tarde não ser infeliz. É parar de simular comportamentos, medir palavras, se podar o tempo inteiro. O segredo é NÃO TER MEDO de se mostrar inteligente, de não gostar de queijo cheddar, de rir quando alguma coisa for engraçada mesmo que boba. É não agir de forma alucinada, como eu muitas vezes ajo também, não sou nada perfeita.  Mas gosto de olhar pra mim mesma e pensar “será que eu não estou exagerando? Será que eu não estou me cobrando demais? Será que eu não estou sendo algo que eu não sou?”

Façam tudo errado. Confiem e dependam das pessoas. Nos machucaremos inevitavelmente uma hora ou outra até mesmo com aqueles que mais nos amam. Faz parte do aprendizado. Não nos encaixemos em padrões de comportamento, “a histérica”, “a bem sucedida”, “a dramática”, “a medrosa”, “a independente”. Sejamos todas as coisas de uma vez só, bem humanas, bem expostas mesmo.  Vamos parar de acreditar que haverá o homem perfeito? Mas também vamos parar para refletir que NÃO SOMOS PERFEITAS? E que não precisamos ser? Que temos TPM, barriguinha, celulite e que odiamos Fórmula 1? Vamos parar de interpretar um namoro ideal e viver um? Vamos CORRER RISCOS? E principalmente, vamos parar de apontar o dedo na cara dos outros e cuidar de nossas próprias vidas?

Obrigada.

3 responses to this post.

  1. Posted by Giu on 13/07/2010 at 18:34

    Nesses filmes tudo é idealizado. Cara, pega Friends: nego num trabalha nem em 10% dos episódios e tá lá lindo tomando café de tarde com azamigue em NYC. Só que eu ainda acho que essa idealização afeta mais as mulheres do que os homens. Estava super pensando em postar sobre isso hoje, mas num sei se terei estrutura emocional pra digerir o assunto.

    Ai cara, mas oh, num gostar de cheddar eu num perdôo não. Huahuahuahua, brinks.

    Responder

  2. Posted by Desaventuras Namorosas on 14/07/2010 at 20:22

    Nossa, tomei uma bronca que você não me deu.

    Responder

  3. A teoria é linda, mas e viver essa prática, hein? Tá pra nascer ser humano que faça tudo isso à risca. A real é que no final das contas, sempre fazemos o que nos dá na telha e temos que aprender a arcar com as consequências do que fizemos. Gostei do texto, AMO cheddar. Beijos, honey!

    Responder

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