a fé de cada um.

Todo mundo me questiona quando eu digo que sou evangélica. Ser evangélico nos dias de hoje é pior que se declarar terrorista, provoca um caos generalizado. Engraçado isso, se eu fosse espírita ninguém falaria nada, católica, umbandista, se eu fosse testemunha de jeová ou hare krishna, não teria absolutamente problema nenhum porque, afinal, religião é pessoal e todas devem ser respeitadas, certo? Certo. Menos os evangélicos. Esses devem morrer porque abusam da fé dos outros. Porque incomodam querendo pregar uma vida certa, cheia de regras e blá, blá, blá…Porque são irracionais, se acham melhores ou superiores. Quero me mostrar, com esse texto, igual a qualquer outra pessoa, talvez pior do que muitas que não sejam evangélicas. Acreditar em Deus não significa ser perfeita.

Em primeiro lugar, os evangélicos não são todos iguais. Existem centenas de denominações, doutrinas, tipos de igreja e ministérios, não vou nem entrar nesse mérito. Vou falar de algumas outras coisas pra ver se consigo clarear a cabeça de vocês…

Sou muito questionada por não PARECER evangélica. Porque tomo cerveja aos finais de semana, porque depilo religiosamente todas as partes do meu corpo, pinto as unhas e não uso saia comprida. Falo palavrões bem tenebrosos quando eu fico irritada, rio alto, gesticulo e discorro abertamente sobre qualquer assunto que estiver na roda, sem tabus. Às vezes, perco a paciência com os meus pais e grito, tenho amigos gays e amigas lésbicas e adoro uma balada. SOU NORMAL.

Como toda a crente namorei bastante, mas não sou muito à favor de casar virgem apesar de ter consciência de que a Bíblia prega esse tipo de comportamento claramente e em muitas partes. Creio que isso é uma opção, os tempos são outros e estão cada vez piores, faz bastante sentido não banalizar o sexo. É complicado julgar, definir e classificar comportamentos, é complicado ter opinião sobre qualquer coisa nos dias de hoje e esse é sempre o tópico que sou mais questionada. Cansei de comentar sobre ele.

Não digo que as pessoas vão para o inferno porque não acreditam nas mesmas coisas que eu e evito FORTEMENTE falar mal dos outros, o que não significa que eu consiga. Simplesmente me afasto de quem eu não gosto e só chamo de amigo quem realmente merece.

Nunca usei drogas, nem me interessei por essas coisas, acho errado de forma pessoal e religiosa, mas a parte que eu não faço ninguém nota. AHHH, É. Tenho 5 tatuagens espalhadas pelo corpo, piercings, fiz jornalismo e hoje faço Design, que eu já ouvi de muita gente ser “profissão ligada ao demônio”, vai entender. Pra mim ligados ao demônio são os políticos, os engenheiros corruptos…

Só tento viver uma vida um pouco mais certa, coerente com a vontade de Deus, o que é bem difícil. E certa PRA MIM. Se o seu amigo crente é um exemplo de pessoa íntegra, que bom pra ele, mas tenho pra mim que em alguma outra área invisível ele deve errar e FEIO, porque TODO MUNDO PECA, segredão. A diferença é que algumas condutas se evidenciam, ofendem, trazem consequências… E são mais apontadas pelas pessoas que adoram uma fofoca quente. PRINCIPALMENTE os próprios evangélicos.

Crente não trabalha pra sustentar a igreja. O dízimo é questão de fidelidade, não de burrice.

Não acredito em igrejas que menosprezam prostitutas, que não amparam suas adolescentes grávidas e que esqueçam que o amor ao próximo está acima de qualquer uma das outras coisas. Infelizmente, essas são a maioria.

TODAS AS INSTITUIÇÕES  são falhas em algum ponto. Devemos ter discernimento para identificar aquela que mais se encaixa naquilo que sabemos ser certo ou errado.

Não acredito em pastores que vendem água santa, lenço ungido, fazem descarrego na TV ou dão ibope para o demônio em rede nacional fazendo entrevistas completas com ele e ao vivo.

Não acredito em gente que prega fé sem razão, mas também não acredito em quem quer racionalizar todas as coisas.

Não acredito em gente xiita, mas também não acredito em gente cética.

Acredito em milagres, Noé, Moisés,  e todas aquelas coisas que as pessoas insistem em dizer que não fazem o menor sentido para a ciência. A ciência não é a dona de todas as certezas e, sinceramente, acho tão patético você acreditar em Big Bang quanto eu em Adão e Eva, vamos combinar.

Ser evangélica é um desafio diário, mas de maneira alguma é vergonha pra mim.

E podem jogar as pedras, já não ligo mais.

4 responses to this post.

  1. Posted by Beka on 07/09/2010 at 02:20

    Tudo que é extremo é prejudicial, deixa de sentir o outro lado da moeda e de ver a outra versão das coisas.

    O que tá faltando nesse mundo é o equilíbrio entre as coisas, porque de hipocrisia já estamos cheios…e infelizmente, essa hipocrisia aparece muito mais nesse mundo crente, do que pode e o que não pode.

    Falta bom senso, falta o meio termo.

    Responder

  2. Concordo com você. Os evangélicos são os mais perseguidos.
    Conheço vários casos de kardecistas malucos, como a mãe da minha melhor amiga que falava que os espíritos obsessores estavam na balada, assim como conheço católicas que achavam que a filha era virgem, mas acabou engravidando aos 14 anos.
    A questão é sempre o bom senso (ou a falta dele).
    Já falei sobre a evangélica da minha sala que fica tentando converter todo mundo, mas casou com o bispo e depois se separou? Segundo a lenda, ela ficou com boa parte da grana dele. Ué, cadê o desapego? Sem contar que ela é extremamente invejosa e fofoqueira. Cadê a humildade e o perdão?
    Só que por outro lado eu acredito que a pessoa que ela é independe da religião que ela segue. Se ela fosse muçulmana, judia, agnóstica ou seguisse qualquer outra religião, eu a acharia uma bossal da mesma maneira.
    O xiita é tão ridículo quanto o cético. Meio termo, gente. Meio termo.

    Responder

  3. Posted by Giu on 08/09/2010 at 18:12

    Olha, eu sou atéia e tenho umas posições bem fortes, digamos, sobre religião. Eu acho que o problema está no fato de vc ser exceção entre os evangélicos, pelo menos entre os vários que eu conheço. Você tem a sua fé mas consegue enxergar em quais pontos a religião ou a igreja falham, em quais pontos elas são anacrônicas e o quanto vc pode ou não flexibilizar. O problema é que são pouquíssimas as pessoas que fazem isso. E acho que vc concorda nesse potno comigo, porque vc é julgada por fazer coisas como estudar design. Tipo gente, hello, qual é o problema? Esse tipo de visão que faz eu ter asco de grande parte das religiões.

    E esse tipo de intolerância e de regras sem sentido das religiões faz com que muita gente se torne hipócrita. Eu era amiga de uma menina evangélica dessas bem fiéis que se dizia a senhora perfeita e falava que num deixava o peguete nem passar a mão na bunda dela, mas pagava boquete pro primo escondida nas férias. Essa hipocrisia que num pode, gente! Se todo mundo fosse que nem vc, que tem uma fé, assume a sua fé mas assume também as coisas que faz que teoricamente vão “contra” a sua fé, o mundo seria bem diferente.

    Outro problema com as religiões evangélicas é que muitos (again, não todos, mas a maioria) não aceitam que vc pense diferente ou acredite em coisas diferentes e não perdem uma única oportunidade de tentar te converter. Eu nunca fui falar mal de Deus pra vc e vc nunca veio tentar me convencer a acreditar em Deus. Não podiam ser todos assim?

    Ai, acho que ficou confuso demais, né?

    Responder

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