over and over

Há quase 6 anos, sem descartar um único dia, eu penso em desistir.

Penso em largar a segunda faculdade, como tinha vontade de largar a primeira, voltar para a casa e trabalhar como empregada doméstica, frentista, caixa de supermercado ou coisa do tipo, sem desmerecer nenhuma dessas profissões. Acho que talvez teria um retorno mais imediato, sei lá. Sei que não estaria satisfeita, mas penso.

A pior parte não é nem subir, descer, assumir os atrasos, deixar sua vida social de lado e não ter tempo para quase nada além de comer, dormir e viajar. Acreditem, não é. É conviver com o medo de, no final das contas, todo esse esforço não ter resultado nenhum, como quando eu achei que trabalhar 14 horas por dia e concluir um curso que não era um sonho pra mim fosse ser uma boa coisa.

É conviver com a realidade do sem prazo, sem tempo e sem grana; esse último, o pior dos itens. Se eu arranjar um emprego, tem que ser em São Paulo. Se for, tem que me pagar bem o suficiente para eu conseguir MORAR na cidade e, dessa forma, preciso encontrar esse tal lugar para morar imediatamente após conseguir o tal emprego. Num tem jeito.

De 2005 à 2008 morei em São Paulo, cursei Jornalismo no Mackenzie, trabalhei na área, mas decidi que a Comunicação, da forma como eu a conheci, não era aquilo que eu queria ser para todo o sempre e amém. Sendo assim, voltei pra casa, fiquei 6 meses pensando se casava ou se comprava uma bicicleta e resolvi prestar Desenho Industrial, para, finalmente, estudar alguma coisa que eu realmente tivesse paixão. Passei em 15ª colocada no vestibular, mais uma vez no Mackenzie, e sem muito dinheiro pra voltar a morar em Sampa decidi ir e voltar TODOS OS DIAS para a casa dos meus pais, em Santos, como muita gente faz.

Só não levei em consideração que passaria cerca de 6 horas diárias em trânsito, incluindo aí os 50 minutos que separam o litoral paulista da cidade grande.

Tudo poderia ser muito pior, é claro. Apesar da gastrite, da insônia, da rinite crônica, das alergias de pele sem motivo aparente e da dor de cabeça, presente 24 horas nos meus dias,desistir, mesmo quase a ponto de explodir, me parece coisa de gente acomodada, fraca. Fui eu quem escolhi ter a vida do jeito que tenho hoje.

No meio do caminho conheci pessoas incríveis com as quais tenho verdadeira amizade, carinho, cuidado… Viraram família, não preciso nem citar nomes. No curso, mesmo com as dificuldades de Desenho Técnico à Marcenaria, tenho meu japonês para cuidar de mim e pelo qual eu também não posso jogar tudo pro alto. Eu sei que ele vai estará lá pra segurar a minha barra quando o mundo todo for desabar na minha cabeça, mas não acho justo depositar nele toda essa responsabilidade; inconscientemente foi o modo que encontrei pra não enlouquecer de vez.

É difícil.

É estafante.

E eu sei que você não tem absolutamente nada a ver com isso.

Hoje só foi mais um dia que eu estou…Cansada. E que nada parece ter mudado no cosmos. Ou pelo menos, nada que torne minha vida um pouquinho mais fácil.

2 responses to this post.

  1. Pois é, eu encerrei minha maratona mackenzista a quase 2 anos e me sinto “enferrujado”. Já mudei de estado, de empregos, mas parece que a mesma sensação me persegue: será que tudo isso não é em vão? Será que vou alcançar os sonhos que tenho? Quando não vou precisar mais me preocupar com dinheiro? Enfim, entendo perfeitamente esse peso no peito!

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  2. Cara, admiro mtooo a tua coragem e o teu estilo de vida, sério. Coisas boas sempre acontecem a pessoas boas. Sua hora vai chegar! ;***

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