síndrome do vale-night.

Acho bonito quando vejo casais que sempre foram exclusivos um do outro. Que quando tinham 13 anos estudavam juntos, tornaram-se amigos, ficantes, namorados… E casaram depois. Mas, sabe, acho perturbador. Na mesma proporção que eu acredito que esse tipo de situação possa parecer ideal, pois não há grandes crises de ciúmes, ambos  acabam tendo que aprender juntos sobre todas as coisas e tudo mais, o futuro, às vezes, é problemático. Acho que dos 13 aos 30 a gente muda muito, vive muito, evolui muito; e é difícil transformar-se com alguém.

Não que eu seja uma defensora da pluralidade de experiências, mas sou uma defensora de que o outro tenha tido, pelo menos, mais UMA experiência. É óbvio que conheço casais muito felizes que nunca tiveram outros relacionamentos na vida além dos seus atuais, sei que essa escolha pode funcionar. A diferença é que dentre todos  esses  não consigo falar de sequer UM que não tenha questionado ter feito a escolha certa. Que não tenha se perguntado se o sexo é mesmo o melhor do mundo, se os beijos encaixam, se é, de fato, amor. Que numa briga não tenha se arrependido de não ter pulado a cerca e se perguntado porque diabos está há tanto tempo com tal pessoa que, talvez, nem seja a melhor.

Obviamente isso acontece com casais em GERAL, mas se agrava quando falamos dos casais-pinguim.

O acaso persegue. A sensação de que não se viveu tudo o que tinha pra viver, a vontade de desistir e, até mesmo, reais tentativas de desistir estão o tempo todo e a todo o tempo na cabeça dos envolvidos.  Não de todos os casais do mundo, claro, mas isso existe. E essa necessidade de se conhecer aquilo que não se provou destrói cada vez mais relacionamentos por aí e eu, sinceramente, não sei o que fazer.

Hoje, se soubesse que ia conhecer meu atual namorado, não teria feito metade das coisas que eu fiz, do fundo do coração. Mas eu sei que se não tivesse vivido as coisas que vivi, não saberia hoje como é amar alguém de verdade. Não teria certeza de que quem eu escolhi para estar ao meu lado é a pessoa mais incrível do mundo, não a mais perfeita. A mais perfeita é chata, previsível, não me divertiria tanto nem me ensinaria coisas que só se aprendem com a diferença.

Pelo meu passado construí meu caráter, meus valores, minhas preferências. Dou valor a quem eu tenho comigo. Acho que só o fato de você não conseguir imaginar quem está com você com outra pessoa já é prova concreta de que, mesmo que não haja paixão, aquela coisa LOUCA que todo mundo sente no começo do namoro, há um sentimento enorme de carinho. Há uma história, há lições apreendidas, e claro, como tudo nessa vida, há muitas dores, brigas e discussões. A questão aí é você pensar: vale a pena perder? Perder para viver tudo o que talvez até fosse necessário ser vivido, mas perder para talvez nunca retomar?

Amar não é simples.

Conviver não é simples.

Desejos não são simples.

Mas se ainda existe dentro de você essa vontade de tentar, talvez seja melhor deixar as coisas como estão. E, principalmente, agradecer por ter ganhado na loteria sentimental (e de primeira!)

One response to this post.

  1. Posted by Giu on 05/11/2010 at 16:51

    Concordo com vc. Tenho pouquíssima fé que esses relacionamentos pra vida toda dão certo. Acho que questionamentos são inevitáveis e, se vc não tem outras experiências, parece que aquela dúvida vai ficar rondando eternamente, como um fantasma mesmo. Acho que experimentar é fundamental (gente, nesse caso, to falando de drogas não, huahuahaua): beijar bastante antes de namorar, morar junto antes de casar e por aí vai.

    Responder

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