sem memória.

Desde que eu comecei a usar aparelho notei que não tenho memória pra dor. Coloco um elástico aqui, aperto dali, como algo mais duro e a minha boca rasga INTEIRA. Juro que na hora sinto dores TERRÍVEIS que, depois, eu nem lembro direito como foram. Se eu tivesse que descrever como é usar aparelho, não saberia ao certo como dizer. Poderia falar que é ruim, mas que, no final das contas, vale a pena a dor em relação ao benefício, mesmo tendo consciencia que já desejei arrancar no dedo, inúmeras vezes, cada uma dessas pecinhas malditas.

Será que é isso que acontece com os assuntos do coração? A gente se machuca, sabe que foi terrível, mas o tempo passa, as coisas cicatrizam e, quando não ficam marcas, a gente nem lembra mais que elas estiveram lá? Será que deveríamos ser assim?

Quando um namoro é saudável e os bons momentos superam as dores acho natural (e também correto) dar uma esquecidinha involuntária na parte ruim do que se viveu. Mas e quando o amor não tem cara de amor? Quando as mulheres apanham dos maridos, são abusadas pelos pais, traídas, inúmeras e inúmeras vezes? Ou quando sentem-se diminuídas, excluídas, esquecidas ao ponto de todo mundo saber que elas não deveriam mais estar vivendo tudo aquilo, mas elas estão? O que fazer? Por que essas mulheres não apresentam a menor recordação da dor?

Há quem diga que é questão de auto-estima. Que elas amam-se tão pouco que atribuem a si mesmas a culpa pelo que recebem. Acho  cômodo pensar assim. Nós não somos árvores, podemos mudar o rumo das nossas vidas à todo o momento, não precisamos ficar lá, com raízes fincadas em solo podre. E, por muitas vezes, ficamos. Insistimos em nos calar para não gerar uma briga, insistimos em não nos separar para poupar os filhos ou a imagem no trabalho, temos medo que mudar seja ainda mais doloroso que suportar.

Quero que essas mulheres (homens, crianças, adolescentes…) pensem que aceitar situações que nos fazem sofrer diariamente não é prova de coragem. É prova de que alguma coisa dentro da gente acha que precisa de punição, sem sequer existir a menor lógica de culpa.

Se você andou sofrendo mais do que merece, com certeza já aprendeu a sua lição de vida, seja ela qual for. Agora chega de ter medo de virar essa mesa. É hora de agir por você (o mais rápido possível.)

19 responses to this post.

  1. Bom dia Ericka, que texto lindo! Concordo totalmente com você, a vida é uma só e tudo é uma questão de escolha.
    Bjs

    Responder

  2. Eu não que as vezes nos acostumamos com a dor, acho que é bem dificl isso.. mas ficamos tão calejados com aquilo, que achamos que aprendemos a conviver com ela.
    Mas a ideia é sempre essa, virar a página e recomeçar…

    Beijos.
    http://www.consumisse.blogspot.com
    @thaharaujo

    Responder

  3. amada nunca senti dor com meu aparelho… nem entendo qdo alguém fala que tá morrendo… de dor com o ap.
    no coração… tenho dores.. e a maior dor é a que meu (ex)(pq literalmente me separei dele) me causou…..
    Besos. besos.
    http://vivi-aninha.blogspot.com

    Responder

  4. Eu não sou nem só para a dor, tenho memória seletiva…hj magoei, amanhã n lembro mais! Não faz bem pra gnt…
    Quanto aos aparelhos, ELES ME DEIXAM COM DORES HORRÍVEISSSSSS, eu chego na orto e falo que to na sessão tortura mensal kkkk, UI COMO ODEIOOOO!!! Infelizmente essa dor eu sinto… 😦
    Bjoksss
    Pri

    http://www.epocaboutique.blogspot.com

    Responder

  5. Minha flor, eu já amo seus posts! FATO!

    Vc disse tudo de forma muito sábia. Não sei te explicar ao certo o que acontece com as pessoas que se submetem a certas coisas, pois n tenho o poder de enxergar o que vai no coração de cada uma. Muitas sofrem caladas principalmente por medo, mas n pode ser assim, gente! NÃO PODE!

    É preciso ter coragem, buscar recomeço e vida nova pq viver aprisionada n é digno, n é justo, n é suadável. Espero que muitas pessoas que passam por estas situações, leiam as suas palavras e se sintam encorajadas a tomar uma atitude URGENTE.

    Beijos, querida.
    Tenha um ótimo final de semana.

    http://www.nicellealmeida.blogspot.com

    Responder

  6. Adorei seu post! É um assunto que querendo ou não mexe com a gente. Dói demais da conta.
    Digo me referindo ao aparelho e ao coração hahaha.
    beijosss
    http://www.rosianeteixeira.blogspot.com

    Responder

  7. Taí uma coisa pela qual eu não tenho nenhuma tolerância: dor de amor! A vida é curta demais pra gente perder tempo sofrendo!


    Camila F.

    Responder

  8. Posted by Carol on 18/02/2011 at 15:57

    Oiiii!!!!
    vim aqui te agradecer pelo comentário super legal que vc fez lá no blog acerca da amizade!!!
    amei!!!!!!!!

    Responder

    • Posted by Ericka Rocha on 20/02/2011 at 10:39

      Magina, Carol! Bonito foi ver a amizadede vcs evidenciada!
      Isso foi lindo!!

      Um bju, querida!

      Responder

  9. Concordo plenamente:” pensem que aceitar situações que nos fazem sofrer diariamente não é prova de coragem. É prova de que alguma coisa dentro da gente acha que precisa de punição, sem sequer existir a menor lógica de culpa”
    E a “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..”
    Beijos

    Responder

  10. Posted by Edi on 18/02/2011 at 23:43

    Adorei essa comparação que vc fez…
    Realmente acontece isso msm.
    Coincidentemente pensei mto nesse assunto pq acabei sofrendo por situaçõe similares e percebi que não aprendi tanto já que repeti o erro. Será que não foi o suficiente? Para mim na verdade agora foi, mudei de atitude.

    Responder

  11. Posted by Thamy on 19/02/2011 at 00:50

    Minha irmã sofreu a beça com aaprelho, realmente é chato.

    Bem, acho que sua analogia está correta. No momento que está sofrendo por amor é a pior dor e talz, mas depois que passa, você não “lembra” e está pronta para outra.

    Kisses

    Responder

  12. Posted by Ana on 19/02/2011 at 20:42

    Ninguém merece pagar de mártir a vida toda, né, Ericka? Fala sério!
    kkkkkkkkk
    Eu tbm costumo esquecer minhas desventuras… mas de vez em quando tenho uns flashbacks que me acordam pra realidade! Pq nem tudo é rosa, é bom ficar na atividade.
    Em qualquer situação, tá valendo a “balança” que vc sugere: se os momentos e coisas boas superam as dificuldades, vale a pena!!!
    Beijos, lindaaaaaa! Bom fim de semana!

    Responder

  13. Oi querida! Tudo bem?
    Olha, eu concordo com tudo que vc disse, acho mesmo que a gente tem que mudar se algo incomoda. Mas eu acho também que não é tão fácil assim… Já passei por uma situação em relação a isso e digo que é realmente difícil mudar. Tive um namorado completamente maluco que ameaçava se matar e etc a cada desentendimento. E aí todo mundo fala que era simplesmente terminar, mas as coisas não são tão fáceis assim. Essa situação bizarra na minha vida durou cerca de 3 anos, e às vezes vc realmente pensa que é culpa sua, e pensa que aquilo não vai mudar, que está fadada à tortura. E realmente, só acabou quando, num dia, e eu me lembro perfeitamente desse dia, eu me dei conta de que aquilo só ia acabar se eu ou ele morresse. Não morremos, mas com muito custo, consegui por um ponto final. E acho que esse ponto final só veio por causa desse desapego à vida, como se fosse um “não ter nada a perder”.

    Beijinhos!!

    http://mmansur.blogspot.com/

    Responder

    • Posted by Ericka Rocha on 20/02/2011 at 10:38

      É, Mari, eu sei que não deve ser fácil…Mas pensa bem, e se nessa situação vc tivesse desistido de vc? Desistido de ser feliz? Fico feliz que vc tenha conseguido sair desse rolo imenso… E vc é tão novinha, já viveu algo do tipo?? São coisas pra gente aprender mesmo, só pode! O importante é que agora vc se recuperou e tudo está caminhando pro bem! UHU!!

      Um bjããooo xuxu!

      =D

      Responder

  14. Oi, fico feliz que tenha gostado do blog!
    Tbm irei colocar o banner do teu blog la no meu!
    volte sempre que quiser, beijo

    Responder

  15. Como a maioria das pessoas, também tive um relacionamento ruim. O fim foi doloroso e sofrido. Mas uma coisa é certa: PASSOU!. Ter passado não significa estar esquecido! E faço questão de não esquecer certas coisas, pois quando você esquece, corre o risco de cometer erros recorrentes. Faço dessas experiências (tantos as boas quanto as ruins) um porão, onde guardo coisas que não uso no momento, mas que posso precisar delas algum dia. Sempre que preciso dou uma “passadinha” por lá para analisar minha vida e aprender alguma coisa. Já se passaram mais 3 anos após o térnimo desse relacionamento e irá fazer 2 e 8 meses que encontrei meu “sapato velho”. Aprendi que amor é escolha SIM! Não acredito nessa coisa de “amor fardo”, pois se já um fardo na vida de alguém, não pode ser mais amor…Me considero uma sortuda por conhecer os dois extremos de um relacionamento! Hehehe.
    Adorei o blog. Gosto muito de falar de relacionamentos e experiências.
    =****

    Responder

  16. Poxa, adorei isso!
    A gente tem que seguir em frente, colocando nós mesmo em primeiro lugar.
    FIca com Deus!

    Beijo
    Raquel Melo
    http://caixinhadesurpresa.blogspot.com

    Responder

  17. Aamr é compartilhar, ouvir. ..Adorei o psot.
    Beijos

    Responder

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