pequenas proibições.


Ela sempre foi daquele tipo de mulher que chamava a atenção em qualquer lugar; e sabia disso. Não poupava olhares abusados, roupas provocantes e sabia seduzir com classe mesmo que sem nenhum interesse. Conseguia tudo o que desejava só no jeitinho,  mantinha o mistério sem cair na vulgaridade e poderia ter qualquer homem num piscar de olhos; sem nem mesmo estar no top 5 das mulheres mais bonitas que eu já conheci.

Era um algo a mais, um bom humor, o jeito com que ela mexia no cabelo ou contava piadas, a forma leve e desencanada que vivia a vida e falava com as pessoas. Não se importava com julgamentos, não se importava, na verdade, com coisa alguma. Ela apenas queria viver tudo que houvesse para ser vivido. E seguia seus dias livres sem a preocupação de namorar, casar, ter filhos ou conhecer um grande amor, muito diferente das amigas que nos quase 30 começavam a se descabelar.

Um dia encontrei com essa amiga por São Paulo e ela estava mudada, com ares de quem levava consigo um peso maior que merecia carregar. Os cabelo, antes loiros e sempre soltos, davam lugar a uma seriedade de escritório, morena, sóbria, coisa que nunca imaginei que poderia ver. Brincos discretos, sapatos formais, olhar de quem tem dono. Não a vi rir alto no bar ou fazer amizade com desconhecidos, não gesticulava mais ao falar, não era mais a pessoa que eu conheci. Conversamos brevemente sobre a vida, ela comentou que não saia faz tempo, que não encontrava mais com a nossa antiga turma e comentou também sobre um noivado que me pareceu um velório. Era a morte dela mesma.

Descobri no “diz que me disse” que o futuro marido era um ciumento e possessivo engenheiro que ela havia conhecido no trabalho, o famoso “encosto mané”. Nada de telefonemas longos, chá com as amigas, nada de unhas vermelhas. Quem tem dignidade nessa vida tem que pintar sempre as unhas de branquinho noiva e essa não é a primeira vez que vejo um homem exigir esse tipo de coisa. A mulher que ele mesmo apaixonou-se, fez mudar. E ela, cedeu. Ela, que nunca ouvia pai, mãe, ou padre, que nunca se submetia a ficar presa numa gaiola tornou-se mais uma de quase trinta submissa. Amedrontada. Apaixonada. E o mais triste de tudo isso: infeliz.

Não há como estar bem numa situação em que esquecemos de nós mesmas e não há anel de brilhante ou convite de casamento glamouroso que me faça crer no contrário. Das coisas que faziam dela uma das mulheres mais interessantes que eu já conheci, não sobrou nem o olhar. E para quem tanto experimentou, foi, voltou, sentiu e viveu, muito me admirou o fato dela passar a chamar todas essas pequenas proibições de amor.

E a fingir que, de fato, acredita nisso.

Anúncios

25 responses to this post.

  1. Adorei o texto, como sempre! Sério, enquanto lia, pensei que, seguramente, esse é um dos meus blogs favoritos!
    Essa situação é realmente triste, principalmente pq não temsentido nenhum. Vc se apaixonada pela pessoa de um jeito e de repente quer mudaá-la completamente. Pior é quem muda, e pensa que faz isso por amor, mas na verdade está fazendo por submissão. E, como vc disse, ainda pensa que está feliz. Bullshit.

    Beijinhos!!!

    http://mmansur.blogspot.com/

    Responder

  2. A submissão é cruel, mas infelizmente existe. Felicidade não tem preço, e quem acha que tem se engana.
    bjk fofa
    http://www.rosianeteixeira.blogspot.com

    Responder

  3. Um casamento que é baseado em submissão, infelicidade e quando apenas um do lado cede, não é casamento.. é uma imensa chatisse. Nunca devemos perder a essência de quem realmente somos.

    Beijos.
    http://www.consumisse.blogspot.com
    @thaharaujo

    Responder

  4. Não podemos mudar pelos outros, apenas por nós mesmas…
    Bjo

    Responder

  5. Posted by Marcelo on 22/02/2011 at 11:42

    Algum dia, a conta chega. Pode não ser agora, pode não ser daqui a 10 anos.
    Relacionamento implica em ceder. Mas há um limite e espera-se reciprocidade. Eu já vivi isso e senti na pele o que é se apagar, se moldar apenas no que o outro espera de você. Não dá certo e não vale a pena. Mas pra gente ver isso, só passando pela experiência… não adianta falar, infelizmente.

    Responder

  6. O mais triste é saber que você não tirou isso de um devaneio maluco, mas sim da vida real.

    Beijos, saudades!

    Responder

  7. Posted by Luana on 22/02/2011 at 13:06

    Nossaaaa, adorei sua postagem!! Fiquei morrendo de vontade de ser a moça de antes e com medo de ser a moça de depois… rsrsrsr

    Com qual será que me identifico agora? Tenho medo de parecer mais com a mulher de depois…

    Vou já pintar minhas unhas de vermelho!!! =D

    Bjooooos

    Responder

  8. Posted by Ana on 22/02/2011 at 14:38

    Lindo post! Às vezes, na ânsia de sermos amadas, nos apagamos tanto…
    por isso os casamentos hj são cada dia mais efêmeros… não dá para se submeter assim. Uma hora dá um estalo!
    Torço!!!

    Amei o texto e fiquei nostálgica! rsrsrs
    bjão!!!

    (aguardo o livro!)

    Responder

  9. Posted by A3 on 22/02/2011 at 15:20

    Aiii eu acho q mulher tem q ter personalidade ne? Imagina vc só fazer coisas pra agradar alguem e esquecer do principal agradar vc mesmo! Sem chances!
    Eu já fiz isso com meu ex e vi q foi perda de tempo, no final nao era feliz com oq tinha me tornado, hj sou uma pessoa mto melhor, mais interessante etc!

    http://a3clube.wordpress.com

    http://www.alameda3.com.br

    Responder

  10. amada… eu queria mudar pelo menos um pouquinho sou muitoooooooo temperamental, doida mesmo… rsrsr geniosa.
    estatos e dinheiro fazem cada coisa…
    Que bom que gostou do novo lay. Fico muito feliz. Foi a Lari do Vintage Croqui que personalizou. Que tal fazer uma visitinha pra ela e conhecer seu trabalho?!Besos, besos.
    http://vivi-aninha.blogspot.com

    Responder

  11. Posted by Regina Celi on 22/02/2011 at 18:08

    Gostei, viu? me lembrou a canção: ” o coração tem razões que a própria razão desconhece…”. Agora é verdade o esmalte branquinho,digo mais o rosinha lilás,faz parte de uma época,esta tão introjetado, chega a ser cultural…mas não me diga de mudar a identidade, não, não e não…ser você mesma, SIM e feliz!amor é troca cumplicidade,respeito pelo outro.Bjo, filha.

    Responder

  12. Posted by Ana on 22/02/2011 at 21:13

    Nossa, é mesmo. Muitas mulheres são tãão influenciadas pelos seus namorados e maridos que até se esquecem de quem são…
    beijoss

    Responder

  13. Posted by enrolada on 22/02/2011 at 21:39

    Você escreve muitoo bem. Adoro os seus textos!
    Parabéns 😉

    Responder

  14. Que história triste! Ninguém consegue ser feliz oprimindo sua essência! Ótimo texto para nos fazer pensar…
    bjs

    Responder

  15. Oi!!!
    Primeiro dizer, que vc escreve intensamente bem!!!
    Vms ao texto: Acho que as mulheres não deve nucna perder a dignidade. Homem que acha esmalte vermlho não coisa de mulher seria não merece valor de nenhuma. Meu marido adora esmaltes vermelho nas minhas unhas e me valoriza sempre, isso é amor… Não ficar recriminando cada ação e reação do outro…
    Bjs!!!

    Responder

  16. Usando o exemplo mais comentado: se esmalte vermelho não é coisa de mulher séria, e a mulher sempre usou (#eu), o que o homem tá fazendo com essa mulher?! Procure uma que já use o esmalte renda… rsrsr Ótimo texto, como sempre! Bju!

    Responder

  17. Posted by Mara on 23/02/2011 at 21:03

    Pobre da sua amiga, que perdeu a identidade e ainda acha que é amada… Triste.

    Beijos,
    Mara
    http://verypinksmile.blogspot.com

    Responder

  18. Posted by Thaiane Bambinetti on 24/02/2011 at 08:51

    Olá, tá rolando sorteio de Esmaltes Eliana participe! http://kingo.to/ujp
    beijos

    Responder

  19. Posted by Ale on 26/02/2011 at 11:00

    Nossa que blog mais lindo. Minha primeira vez por aqui e ja estou amando. Sou nova neste mundo e vim deixar um convite para visitar meu cantinho. Se gostar, me siga que ficarei honrada.
    Ale

    Responder

  20. Posted by thais on 26/02/2011 at 22:48

    Ou, Ericka! Tudo bem?
    Excelente texto, como sempre! Antes de amar alguem, temos de amar a nós mesmos e disso faz parte continuarmos sendo o que somos mesmo na presença do outro. Eu não abro mão de meus saltos, meu batom vermelho, minhas unhas vermelhas só pq um homem assim quer. Se não o agrada como sou, não me ama e, portanto, não me merece… Acima de tudo, temos de ser nós mesmos…
    Beijoos,
    Thaís

    http://politicadesaltos.blogspot.com
    http://simplywomanly.wordpress.com

    Responder

  21. Posted by Yuka on 28/02/2011 at 02:09

    Nossa, coitada.
    Eu sei que num relacionamento a gente precisa ceder (bastante) – eu vivo isso todos os dias. *rs!
    Mas daí a mudar a maneira de ver a vida… Putz! Triste!
    Um bjo!

    Responder

  22. Posted by Ruiva on 13/03/2011 at 01:39

    Isso não é submissão. Isso é ser fraca, é ter medo de ficar sozinha e achar que um homem sabe o que é melhor. Isso é o que a sociedade nos manda fazer, mas não nos diz que vai nos matando aos pouquinhos. Pequenas mudanças não fazem mal. Isso precisa acontecer numa relação. Mas um dos pares se anular pra agradar ao outro já é prenúncio de uma união infeliz, fadada ao fracasso.
    É por isso que defendo sempre o ditado de antes só do que mal acompanhada!!!!!
    Beijas

    Responder

  23. Bah, me vi nessa menina! Eu já fui assim, sem vida, sem controle da vida. Ainda bem que consegui me desvencilhar das amarras e descobri que melhor sozinha do que mal acompanhada!

    Beijos

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: