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sinceridade terapeutica.

Costumo recomendar aos novos casais amigos uma terapia drástica de sinceridade. Minha mãe certamente reprovaria tal técnica totalmente sem classe, mas eu garanto que tem efeitos magníficos.

Arrote. Fale palavrão. Assuma que você tem chulé e ronca. Claro, não tudo de uma vez e não no meio de um almoço familiar, mas diga. Conte que você tem pavor de baratas, que ficou uma semana sem dormir depois de ver um filme idiota sobre ET’s, comente que detesta dormir do lado esquerdo da cama e que acha que lavar louça é a maior perda de tempo que pode existir em toda a vida.

Assuma que não entende nada sobre futebol, que dirige mal, que prefiria nem trabalhar. Claro, se isso tudo for verdade na sua vida. Se for o contrário, diga também. Dispa-se de todas as fantasias, quebre toda a imagem de mulher perfeita que ele possa ter criado em relação a você e vice-versa.

Não se engane. Não engane o outro. Não queira parecer divertida, gostar de filmes chineses que você não consegue nem entender a trilha sonora. Diga que é chato. Diga que não faz o seu tipo. Diga tudo isso educadamente, fazendo um cafuné e um carinho depois, mas fale. JAMAIS finja amar rock pesado se sua praia for pagode. Não diga que acorda do jeito que está agora, linda. Fale sobre suas remelas, fraquezas, humanize-se.

No começo tudo é bom porque é novo e todo mundo quer fazer e fingir rir porque estamos embriagados pela paixão, é natural. Mas caso você pretenda levar o relacionamento adiante, por favor, não omita tantas coisas sobre si. Aliás, aprenda a rir e a perceber que o outro também tem lá suas peculiaridades…

Tentamos ser aquilo que o outro espera porque queremos causar boa impressão, mas relacionamentos não são só alegrias o tempo inteiro. Aliás, acredito que seja mais um bom lidar com as desavenças e desprazeres que aproveitar o que há de efetivamente bom. Melhor dizendo, é tornar cada problema em obstáculos superáveis, não intragáveis.

Imagine achar que o cara era um viciado em academia e descobrir que, na verdade, ele acabou de sair de um cirurgia plástica e de redução de estômago. Imagine achar que ele fosse fã de MPB e mais tarde reparar que ele trocou toda a coletânia do Caetano Veloso, que você deu pra ele de presente de Natal, pelos novos DVDs do Exaltasamba. Não dá.

Ninguém gosta de dividir cama e escova de dente com um desconhecido.

Não seja, para si (e nem para o outro), uma personagem em ação.

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