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Mulheres, como vocês já sabem, são seres muito peculiares. Compram uma blusa nova e sentem a necessidade de comentar com alguém e saber se ela valeu mesmo os 150 reais gastos. Tem um cara gatinho na academia ou no trabalho e pronto, já tiram foto do sujeito pra comentar com as amigas.  Já logo descobrem se ele tem Facebook, se é casado ou solteiro, o nome e o RG da mãe dele. Se vivem um grande amor ou uma grande decepção, precisam compartilhar, aconselhar-se com aquela amiga que sabem que não vai rir das suas inseguranças.

Eu achava que não, mas os homens também tem seus conselheiros.

É claro que eles não dão tanta bandeira como nós, não saem da mesa do bar em pares cochichando e rindo na cara dos seus pretendentes. Nao mandam sms’s imediatos, não contam cada detalhe do que acontece. Mas compartilham SIM uns com os outros quando acham que uma ou outra vale a pena. Mas só QUANDO VALE MESMO A PENA.

A mulher é detalhista. Fala da roupa, da música, do cheiro de chuva do ambiente. Descreve o cabelo dele que estava com ou sem gel, se ele havia acabado de sair do trabalho, diz se ele parecia ou não cansado. É capaz de reproduzir falas inteiras com as devidas pausas e respirações. Cada segundo daquela conversa sobre nada do elevador pode ter (ou não) um significado muito maior. E as ouvintes, quase sempre, lembram de tudo que foi dito para costurar todos os pontos e dar um veredicto sobre um possível relacionamento ou investida. Alguma coisa está mesmo acontecendo? Ou seria só a nossa imaginação?

Somos seres altamente atentos às insignificâncias.

O homem é objetivo. Chega no brother e diz: “Sabe a fulana? Então, tô pensando em pegar.” Aí o outro responde: “Pô, ela é bacana.” ou “Nossa, ela é zuada.”

E morre aí.

Mentira. Nem sempre morre aí. Eles comentam do jeito deles sobre as coisas que acontecem, mas só com aquele amigo mais chegado e que, de preferência, seja amigo da pretendida também. Não falam tantos detalhes, não admitem tantas inseguranças. Homem acha que perde um pouco da sua masculinidade se ficar assumindo publicamente que não sabe o que fazer em determinadas situações. E eles realmente não sabem.

Não pense que tudo o que eles dizem tem um sentido maior que o que está ali, bem na nossa frente. Não fique imaginando que eles deixaram a gravata torta à 15 graus para esquerda porque queriam parecer desencanados. Geralmente as palavras são só palavras, e os gestos, só gestos.  Homem é mais ligado nas ações no que nos sinais.

Se ele te quer, você logo vai saber. Se ele ele gosta de você vai deixar isso tão escancarado que até você vai duvidar se é ou não verdade e, principalmente, se tiver de ser, vai ser.

por dentro.

Gosto de ficar analisando minhas próprias condutas para ser uma pessoa melhor. Obviamente, sou terrível em muitos aspectos, mas acho inconcebível o fato das pessoas não serem capazes de auto-corrigir-se (está certa a grafia dessa palavra?) e melhorar, tentar ser seres vivos mais dignos e agradáveis para si ou para com os outros. Meu pai é assim, uma muralha. Não ri, não chora, não admite erros. Não pede perdão, nem desculpas, não demonstra carinho algum. Meu pai e mais uma série de outras pessoas que conheço.

Não nascemos exatamente do jeito que somos hoje, me refiro aqui ao momento presente. Seria um clichê da psicologia dizer que o que nos define é parte DNA e parte exeperiências, mas essa é a maior verdade sobre todas as coisas das quais escrevo aqui. Penso que se nosso DNA é imutável, deveríamos fazer com que as nossas experiências mostrem coisas. Quando nos enervamos com algo, procurarmos saber o por que verdadeiro de tal. Quando desgostamos, quando nos entristecemos… Enfim, o tal do auto-conhecimento.

Penso, também, que a maioria das pessoas ou busca o auto-conhecimento e se torna melhor ou se fecha na tal da imutabilidade, tornando-se intragável. O mundo é que está errado, não você. A sociedade é que é clichê, cheia de convenções, não você, você nunca. Ou melhor, você sempre.E  o mais engraçado é sofrer com essa mesma decisão de manter-se rígido em relação aos próprios conceitos.

Alguns chamam de egoísmo, outros de egocentrismo. Os mais ousados chamam de amor-próprio, que, pra mim, é um conceito bem distorcido já que beira o orgulho cego. Eu chamo de escrotisse. Eu odeio gente escrota.

Acho que se não for pra fazer as coisas por si, que seja por quem você realmente se importa. Se não for pra mudar porque deseja, que seja porque é preciso. Porque a vida seria mais leve assim; sem crises, cobranças, é gostoso fazermos alguém feliz mesmo que isso nos torne “a little bit miserables”. É como cutucar a casquinha da ferida que coça: dói, mas também nos dá um estranho prazer de arrancá-la de lá. Deixa marca, mas sara. E depois a gente nem lembra de onde veio aquela cicatriz que não nos deixou mais ser 100% igual ao que éramos antes, mas no final das contas, nem fez muita diferença.

O importante é que ela se instalou lá para aprendermos a não tropeçar pra não machucar tão feio.

Amar (num sentido amplo) é simples assim.