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será que é amor?

Queridos, recebi alguns e-mails no Consultório que só vou ter tempo de responder semana que vem! A vida anda corridíssima, ficar entre Santos e São Paulo durante a semana me faz perder aí umas 7 horas de vida on the road… Complicado!

Fazendo um resumão do que eu tenho na minha caixa de entrada, notei uma tendência geral de questionamentos em relação aos limites do amor. Quando é que termina a atração e a paixão e começa, de fato, a reinar o tal sentimento nobre em nossos coraçõezinhos? Quando é que os romamnces viram obsessão ou quando é que as coisas começam a ficar meio fora do controle? O amor já teria dado lugar a outros sentimentos? Ou apesar de tantas loucuras ele ainda estaria por lá?

Gostaria de ter respostas pontuais para descrever como o amor se dá, mas é se soubesse de tudo isso esse blog não teria a menor serventia. Não pararíamos para refletir sobre o que é certo ou errado quando o assunto é relacionamentos.

Não consigo definir limites em relação aos sentimentos já que eles tanto podem acontecer em simultâneo, como odiar alguém e ser apaixonado por essa pessoa, como podem vir em separado. Aquilo que está na nossa cabeça (e coração) varia em intensidade ou representatividade de pessoa para pessoa. O que é amor pra mim pode não ser pra você, o que eu sinto pode ser bastante diferente daquilo que você vive, percebe… E sente também.

Posso falar de forma genérica sobre o que NÃO É amor. O que também não é fácil de identificar porque não somos feitos só de amor, ódio, paixão… Somos complexos demais pra colocar em linhas ou tentar definir sentimentos, mas podemos notar alguns padrões de comportamento; e são deles que eu tenho falado por aqui em alguns posts.

O que mais me intriga nisso tudo é essa sede que as pessoas tem em definir as coisas. Quem define, se perde. Se for amor, você vai saber. Vai sentir. Amor é aquele sentimento irracional que te faz querer ser melhor não por você, mas pelo outro. É que faz você ter a consciência de que existem no mundo pessoas mais bonitas, interessantes, inteligentes, fortes, sensuais, mas ainda assim você deseja estar com apenas uma,  imperfeita, que você escolheu para estar do seu lado porque sim. E simplesmente porque sim.

Recebi perguntas sobre traição, sobre trocar ou não de parceiro, sobre pequenas infelicidades que se tornam um problemão, sobre muitas e muitas coisas distintas questionando sobre o mesmo ponto: será que ainda é amor? Será que houve amor um dia? Será que amar é essa porcaria mesmo?

Não posso julgar se é amor, mas posso dizer que questionar-se demais já não é um bom sinal. Sei que amar não é ter sempre certeza, como diria Jota Quest, ninguém é perfeito pra ninguém e disso a gente sabe. Mas entre o sim e o não, entre desejar estar com outras pessoas ou com a que optou por chamar de namorada, noiva, ficante…Entre partir ou ficar, eu sempre sugiro partir. É drástico. É problemático. Traz consequências. Mas é melhor partir e definir-se por não estar que trair. Que enganar e magoar alguém que você pode descobrir posteriormente que amava de verdade. Que era amor. Das mágoas pode-se voltar atrás, das culpas, dificilmente.

E amar não pode ser uma porcaria, não 100% das vezes. Ocasionalmente amar vai ser uma porcaria. Vai doer, vai encher o saco, vai proibir, inibir, constrangir, vai cansar. Mas aí os envolvidos dormem, acordam e tudo passa a valer a pena de novo.

O que é amor, então?

Acho que é ainda ter dentro de si o desejo de não desistir.

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Leu? Gostou? Então agora ouve: Será que é amor? Arlindo Cruz na voz do Exaltasamba.