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herrar é umano.

Não acredito em erros imperdoáveis.

Acho que tudo, absolutamente tudo nessa vida pode ser superado com exceção da morte. O que eu tomo como parâmetro sobre aquilo que é certo ou não aceitar faz referência com as atitudes. Essas sim podem ser inaceitáveis seja no namoro, noivado, rolo, família, trabalho… Não importa. Cada atitude tem sua medida e consequência. Cada caso, é um caso.

Desculpas, na minha opinião, tem um siginificado que vai além daquele desejo que temos em fazer com que o climão acabe. É um ato de humildade. Não há nenhuma lógica em magoar as pessoas que amamos, mas errar é humano, não tem jeito. Às vezes, as coisas se apresentam de uma forma que quando você vê… Já fez. E com o outro também é assim. A irritação parece que nunca vai cessar, a mágoa parece que nunca mais vai embora, nada mais vale muito a pena quando estamos tristes. Mas não é assim pra sempre. É mais desgastante ficar remoendo erros passados, que perdoá-los, o que não significa que não devemos  ficar atentas para que os erros perdoados não se repitam. Perdoar não significa esquecer, significa superar. Creio que amar alguém não é nunca errar, mas sim, incomodar-se. Incomodar-se em saber que o outro não está feliz. Que uma atitude qualquer fez o parceiro repensar sobre os porques do relacionamento, ou, simplesmente, foi incômoda. Amar não é sempre bom, já disse, e quem continua afirmando isso ainda não amou de verdade.

Quem ama tem que ter uma paciência (enorme) para conversar. Conversar muito. Se alguma coisa incomodar, doer ou ficar cutucando o coração com ponta fina… Diga. Não hesite. Muitas vezes o outro nem se dá conta que aquilo que fez provocou tanto mal, nada é tão óbvio quanto parece. Há atitudes que magoam uns e outros e que são tão automáticas e instantâneas da nossa personalidade que não conseguimos conceber que aquilo possa ser um erro. Uma atitude ou uma palavra tola pode provocar a mágoa de quem amamos de verdade e não dá pra ignorar. Não é prudente. Um probleminha, vira um problemão. Uma resposta atravessada vira uma atitude impensada. E daí, uma bola de neve vem, domina e consome tudo aquilo que há de melhor no amor: a compreensão mútua.

Abandonar pequenos e antigos hábitos é dificil, mas necessário.

Um amigo me perguntou se eu o perdoaria mesmo se ele insistisse num erro. Mesmo se ele fizesse algo que me magoasse e tivesse a consciência disso. Mesmo se antes tivéssemos conversado, combinado de nunca mais nos aborrecer com tal atitude, prometido que a situação não iria ocorrer novamente. Eu respondi que sim. Perdoo as pessoas que amo e considero quantas vezes forem necessárias porque insisto nelas. Não perdoar seria como abrir mão de ter tantas outras (e inúmeras) coisas boas perto de mim que seria inconcebível não fazê-lo. Só não perdoamos pessoas que não valem a pena.

E agora vocês devem estar perguntando…E traição, Ericka? Traição é imperdoável?

Não. Não é.

Mas mexe com sentimento, respeito, confiança e muitas, muitas outras coisas que fica complicado de superar. E ainda sim, há quem consiga.

Não deixem que as pequenas mágoas consumam seus relacionamentos. Não empurrem com a barriga. Estar com alguém, seja namorado ou amigo, é construir e rebocar um tijolinho por dia em meio à um tsunami: é difícil, trabalhoso, mas depois que tudo passa, as coisas ficam bem mais fortes. E com ar de evolução.

carnaval.


Carnaval, pra muitos, é tempo de libertação. De sair da rotina, beber todas, de fazer tudo em excesso. Eu, particularmente, detesto Carnaval, começando pelos sambas-enredo que me irritam em grau maior e me extendendo à sujeira nas ruas, o trânsito que fica cem vezes pior e mais uma série de outras coisas que eu tenho uma certa preguiça de enumerar. A questão é que não importa o que eu pense sobre Carnaval: feriado é feriado e o povo quer aproveitar. Se você começou a namorar recentemente e ainda não percebeu que a data provoca, via de regra, conflitos em excesso, fique sabendo agora. Para quem sempre fez parte da folia, é difícil aceitar ir ao cinema pra ver um filminho ou deixar de ir pra Salvador com a molecada pra viajar pra Poços de Caldas com os seus pais. É complicado não fazer algo que possa parecer mais animado para ficar em casa, fazendo nada. Como todo mundo no nosso país fica meio frenético, a coisa contagia. Você odeia confete, acha usar fantasia um negócio ridículo, mas entra no clima. No clima de guerra.

Se pra mulherada parece altamente automático deixar a “vida loka” e virar moça direita, pros homens que eu conheço não é bem assim. É claro que em alguns casais a coisa é invertida, tem cara que aceita bem sussegar enquanto a namorada, cheia de amiga solteira, tá doidinha pra saracutiar por aí. Tem como não discutir pra curtir junto? Pra mim, tem. Mas reparei que anda complicado pra maior parte dos casais abrir mão de algo que era habitual e prazeiroso na solteirice para tentar algo novo com alguém. Aliás, essa é a justificativa de quem não namora, abrir mão da própria liberdade para “agradar” o outro. Isso não existe. Se você namora e se sacrifica, perde de si, não é saudável. A verdade é que quando você gosta de alguém tudo torna-se mais prazeiroso com essa pessoa, o namorado vira a sua primeira companhia. Não é pra deixar de sair, deixar de ter os seus momentos sozinho. É pra saber que há alguém a mais que está ali, disponível para estar com você. Como diria o meu querido Carpinejar, “Liberdade na vida é ter um amor para se prender”. Se você namora e não entende isso, se você namora e não sente isso, se o seu problema é estar sufocado, aborrecido, obrigado em fazer isso ou aquilo, algo está errado. Não dá pra viver em função do outro.

Namorar é, acima de tudo, poder ser você mesmo (e ser querido ainda assim).

transformações.

Quando um romance acaba, quase sempre é um drama. Evitamos encontrar, falar ou saber sobre qualquer coisa que aconteça com a pessoa, ou pior: queremos controlá-la ainda que à distância, ainda que soframos calados com qualquer coisa que ela esteja vivendo sem a nossa presença. Por muito tempo engolimos seco. Terminar é sempre indigesto, mesmo com a consciência de que era o melhor a ser feito. Morremos de medo do novo.

Um amigo comentou comigo que ainda que um relacionamento termine de forma traumática saímos transformados dele. A gente aprende mais com os problemas que com os bons momentos, pra um namoro funcionar devemos superar as diversidades e se esse mesmo relacionamento, fatalmente, terminar, levamos conosco toda a sabedoria conquistada. Aprendemos a ser tolerantes, a entender que as famílias não são todas iguais, aprendemos que não existem profissões mais ou menos dignas e que sertanejo não é assim tão ruim. Aprendemos a gostar de sushi e de carne de porco, a dormir no calor rodeado de mosquitos, a saber que algumas coisas que não nos agradam devem ser feitas por amor, com amor e pelo amor. Muitas vezes contra a nossa vontade.

Aprendemos também sobre aquilo que não devemos fazer, a detectar ciúmes, evitar discórdias e amenizar crises. E tudo isso acontece de forma inconsciente. Achamos que quando termina um amor estamos exatamente iguais a antes, o que é impossível. O tempo todo a gente se tranforma, evolui, mudei muito mais dos 20 para os 23 anos que dos 15 aos 20. Principalmente porque comecei a me conscientizar sobre o meu passado, a fazer avaliações dos meus padrões de envolvimento e a perceber o quanto me desenvolvi como pessoa por meio de outras pessoas.

Nada que se vive é por acaso. Somos esponjas prontas para absorver trejeitos, expressões, atitudes e opiniões alheias.

Só temos que ter o cuidado de consumir daquilo que é certo. E mudar para melhor.

pequenas proibições.


Ela sempre foi daquele tipo de mulher que chamava a atenção em qualquer lugar; e sabia disso. Não poupava olhares abusados, roupas provocantes e sabia seduzir com classe mesmo que sem nenhum interesse. Conseguia tudo o que desejava só no jeitinho,  mantinha o mistério sem cair na vulgaridade e poderia ter qualquer homem num piscar de olhos; sem nem mesmo estar no top 5 das mulheres mais bonitas que eu já conheci.

Era um algo a mais, um bom humor, o jeito com que ela mexia no cabelo ou contava piadas, a forma leve e desencanada que vivia a vida e falava com as pessoas. Não se importava com julgamentos, não se importava, na verdade, com coisa alguma. Ela apenas queria viver tudo que houvesse para ser vivido. E seguia seus dias livres sem a preocupação de namorar, casar, ter filhos ou conhecer um grande amor, muito diferente das amigas que nos quase 30 começavam a se descabelar.

Um dia encontrei com essa amiga por São Paulo e ela estava mudada, com ares de quem levava consigo um peso maior que merecia carregar. Os cabelo, antes loiros e sempre soltos, davam lugar a uma seriedade de escritório, morena, sóbria, coisa que nunca imaginei que poderia ver. Brincos discretos, sapatos formais, olhar de quem tem dono. Não a vi rir alto no bar ou fazer amizade com desconhecidos, não gesticulava mais ao falar, não era mais a pessoa que eu conheci. Conversamos brevemente sobre a vida, ela comentou que não saia faz tempo, que não encontrava mais com a nossa antiga turma e comentou também sobre um noivado que me pareceu um velório. Era a morte dela mesma.

Descobri no “diz que me disse” que o futuro marido era um ciumento e possessivo engenheiro que ela havia conhecido no trabalho, o famoso “encosto mané”. Nada de telefonemas longos, chá com as amigas, nada de unhas vermelhas. Quem tem dignidade nessa vida tem que pintar sempre as unhas de branquinho noiva e essa não é a primeira vez que vejo um homem exigir esse tipo de coisa. A mulher que ele mesmo apaixonou-se, fez mudar. E ela, cedeu. Ela, que nunca ouvia pai, mãe, ou padre, que nunca se submetia a ficar presa numa gaiola tornou-se mais uma de quase trinta submissa. Amedrontada. Apaixonada. E o mais triste de tudo isso: infeliz.

Não há como estar bem numa situação em que esquecemos de nós mesmas e não há anel de brilhante ou convite de casamento glamouroso que me faça crer no contrário. Das coisas que faziam dela uma das mulheres mais interessantes que eu já conheci, não sobrou nem o olhar. E para quem tanto experimentou, foi, voltou, sentiu e viveu, muito me admirou o fato dela passar a chamar todas essas pequenas proibições de amor.

E a fingir que, de fato, acredita nisso.

Recl(amar).


Caro leitor,

Se sua namorada te procura para contar sobre as coisas ruins que acontecem na vida dela, escute-a com atenção: as coisas ruins a gente só compartilha com quem a gente realmente ama.

Pode parecer meio confuso, mas ser feliz com quem te faz bem estando bem é muito fácil. Difícil é ser feliz quando tudo na vida anda bem torto e só há um aspecto bom: o relacionamento. Eu sei que quando tudo está meio desandado a tendência da mulherada é usar o outro como suporte, eu faço isso. A gente exige presença, corpo, alma e ouvidos: que às vezes estão até piores do que os nossos, mas eles têm vergonha de admitir.

Dividir dramas é mais difícil que dividir um apartamento.

Quando o outro começa a falar sobre seus dessabores não é esperado que você dê soluções. A gente só precisa de um consolo. Fale também dos seus problemas, se não tiver nenhum, invente. Só pra gente não se sentir tão caótica e exigente, só pra gente se sentir importante em saber algo sobre você que poucas pessoas sabem. Mesmo que isso nem exista.

Os problemas servem pra gente ter sentido pra viver, pra que os dias tenham sabor de vitória. De nada adiantam os erros e acertos sem ninguém na torcida. Namoro é terapia. É saber de todas as fragilidades do outro e não se aproveitar disso numa briga. É saber onde o calo aperta e tentar massagear com carinho pra ele sair de lá. Ou, simplesmente, não encostar nele. Se sua namorada precisasse de juíz ela certamente contaria tudo para alguém que não a conhecesse e, sendo imparcial, lhe desse as diretrizes certas sobre o que fazer.

Amar, às vezes, é sobre não fazer nada.

Porque não basta ter alguém pra esquentar os pés nas noites chuvosas a gente quer alguém pra aquecer o coração.
E fazer o corpo descansar num porto seguro por pelo menos alguns momentos sem se sentir só.

climão.

Sou daquelas que acha que a culpa de tudo no mundo é minha.

A crise economica mundial, a crise economica da minha casa, o atraso, o bar que deu errado, o trabalho da faculdade, algum esquecimento…Tudo, absolutamente TUDO, é minha responsabilidade. Não sei relaxar. Não sei esperar as coisas se resolverem sozinhas. Vou lá, falo tudo que tenho pra dizer e fico esperando alguma palavra que seja (de preferência, consoladora…) em troca.

Me acostumei tanto ao fato de carregar pequenas cruzes que já assumo erros que nem são meus e peço logo desculpas pra não ficar com aquele gosto amargo na boca ou com o meu estômago borbulhando de tanta ansiedade; mesmo que eu saiba que esse lance de culpados e inocentes é complicadíssimo, principalmente quando falamos em amor. Amor são dois, não um. Logo, de forma geral, se um erra e cai foi porque o outro tropeçou. Num tem outro jeito.

O que me incomoda mais é algo que vai além disso tudo: o fato do outro se importar. A gente pede perdão porque realmente enxerga a nossa parcela de culpa nas situações e se importa quando o outro está magoado. Eu, pelo menos, sou assim. Só que não podemos obrigar ninguém a se importar com a gente. Mesmo que você esperneie, e o outro comece de fato a ligar praquela papagaiada toda, isso não é valido porque não é natural.

Você provocou o efeito, você foi a causa. O amor deve ser causa e efeito por si só.

Conversando com a Mari, que assim como 70% das mulheres desse país vive uma situação parecida com a minha, surgiu a teoria de que nos desculpamos não porque nos sentimos culpadas e sim porque somos superiores – e preferimos assumir logo a culpa do que levar a situação à ferro e fogo. Eu bem gostaria de dizer que sou superior, amiga, mas eu sou mesmo é AGONIADA.  Detesto um climão. Principalmente com as pessoas que eu realmente me importo.

Acho que no final tudo isso tem a ver com o quanto somos especiais para alguém e o resto é consequência. O que torna tudo isso ainda bem mais triste.

Não?

*****

Pessoal, minhas aulas começam hoje (aaahhhhh!) o que talvez torne um pouco mais difícil eu responder todos os comentários por aqui! Me perdoem? E assim que eu tiver um tempo maior, responderei a TODOS que me enviaram e-mails no Consultório, okay?

Beijão!

o amor no cotidiano.

Uma mulher liga pra outra, desesperada:

– Menina, você não sabe!
– O quê?
– Hoje o dia foi um terror, me aconteceu assim, a desgraça das desgraças.
– O que??????? Aquela vaca da outra sala tava com a mesma saia que você? Encontrou com o ex na rua?
– Não, amiga, roubaram a minha vaga.
– CO-MO A-S-SIM?
– ROUBARAM A MINHA VAGA. Cheguei lá no trabalho pra estacionar, atrasada, claro, e tinha um Corsa preto na vaguinha do meu Gol. UM CORSA, VOCÊ ACREDITA?
– Men-ti-ra. E o que você fez? Furou o pneu do cara?
– Deu vontade, viu? Mas tava atrasada, alguém podia ver, num arrisquei. Pensei em arranhar a lataria do sujeito de ponta à ponta, onde já se viu? O cara pegou  A MINHA VAGA. Tive que andar 4 quarteirões de salto alto num calor dos in-fer-nos. Quis MORRER.
– Ai,amiga, posso imaginar, que fase. Deve ser um gordo, maldito, sedentário. Só pode. E de resto, tá tudo bem?
– Tudo. Comprei um vestido lindo.
– Aquele azul?
– Não, aquele verde que eu vi no shopping. Final de semana eu ponho pra você ver.
– Ai, então tá ótimo. Me liga mais tarde?
– Ligo.
– Super beijo!

A mulher chega em casa e comenta a situação com o marido:

– Amor, tive um dia terrível.
– Ah, é?
– Cheguei no trabalho atrasada e um cara tinha roubado a minha vaga. Amdei quatro quarteirões de salto alto por causa desse infeliz. Liguei pra Patricia e contei tudo. É um absurdo, né? Como pode um negócio desses? Fui no shopping e comprei aquele vestido verde que eu tava querendo, ficou lindo. Precisava desestressar.
– Hum.
– Ah! Meu cartão de crédito não passou na loja, usei o seu, tá?
– COMO ASSIM USOU O MEU?
– Ai, num seja insensível. Meu dia foi uma bagunça total, num vamos falar em dinheiro agora, okay? Depois eu pago tudo pra você, num entra em crise.
– Agora fazer o que, né? Já usou mesmo o cartão. E quanto foi o vestido?
– 300 reais, tava na promoção.
– Na promoção PRA QUEM? E que tal ao invés de reclamar que o cara roubou a vaga que é da rua e não SUA, chegar mais cedo no trabalho pra garantir que ela ainda esteja lá?

– Nossa, com você não se pode nem conversar, hein? Estúpido.
– (…)

Tô mentindo que é assim?